Um pescador de Itajaí, no Vale, capturou uma arraia do tamanho de um carro. Ele chegou a ter a
embarcação puxada pelo animal por quase um quilômetro, como mostrou o Jornal do Almoço desta quarta (3).
O encontro inesperado ocorreu na
segunda-feira (1º). Pedro Ricardo Xavier estava em uma bateira - um tipo de barco pequeno - para capturar peixes, quando a arraia gigante se prendeu no cabo de aço que segurava
a rede.
“Foi assustador, eu estava com uma embarcação pequena e ela saiu puxando tudo. Me puxou por aproximadamente um quilômetro,
até a boca do nosso molhe, até que ela cansou. Eu consegui botar em cima, na proa do barco, fui trazendo para a terra até ela puxar de novo”, conta o
pescador
A embarcação estava a apenas um quilômetro da costa, mas o pescador demorou quase duas horas para chegar à areia, pois a arraia
arrastava a bateira e ele não conseguia manobrar. Essa verdadeira história de pescador foi registrada em vídeos que mostram moradores reunidos para testemunhar a
pescaria inusitada. Na praia, eles ajudaram a soltar o animal e devolvê-lo ao mar.
“Vimos que o pescador estava se aproximando e embaixo do barco duas
barbatanas. Então dava impressão que era uma baleia ou dois golfinhos”, diz a moradora Haydi Adam Sandri.
Tamanho de um
carro
Segundo o oceanógrafo Rodrigo Mazzoleni, que analisou as imagens, a arraia parece ter mais de 3 metros de comprimento, aproximadamente o
tamanho de um carro, e pesar cerca de uma tonelada.
“É uma espécie grande, é uma das maiores espécies de raias [sinônimo de
arraia] que temos do mundo. Podem chegar a seis metros de envergadura de uma ponta a outra das nadadeiras, e elas conseguem, sim, arrastar um barco. Geralmente elas são presas em
redes. Quando o pescador tenta puxar o animal para cima, ela vai tentar se livrar e pode mesmo puxar. Nós temos relatos de pescadores cuja embarcação foi arrastada por
um bom pedaço, as vezes quilômetros dentro da água”, explica o oceanógrafo.
A espécie é chamada de raia manta,
também chamada de arraia jamanta. O animal está na lista de animais ameaçados de extinção e é rara no estado. Costuma se aproximar da costa para se
alimentar de camarão. A última arraia que ficou presa a uma embarcação em Santa Catarina foi em 1994, em Penha, no Litoral Norte.