De um total de 112 mandados de prisão, a polícia cumpriu 91 até a tarde desta quinta-feira (20) na
operação contra grupos criminosos que começou às 6h desta quinta em sete cidades catarinenses. Dos mandados cumpridos, mais de 60 eram de pessoas que já
estão no sistema prisional.
Todos os 40 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, entre celulares, armas, munições, radiocomunicadores
e computadores. As investigações começaram há cinco meses, conforme o delegado Antônio Cláudio Joca disse em coletiva de imprensa na tarde desta
quinta.
De acordo com o delegado Adriano Bini, 200 policiais civis cumprem os mandados de prisão e 40 mandados de busca e apreensão na capital, em
Joinville e Araquari, no Norte do estado, Itajaí, Balneário Camboriú, no Litoral Norte, Laguna, no Sul, e São José, na Grande Florianópolis. Na
capital, as diligências ocorrrem nas comunidades do Papaquara, Siri e Vila União.
“A gente conseguiu na terça-feira [18] encaminhar
representação, que foi rapidamente apreciada tanto pelo Ministério Público como pelo poder judiciário, onde saíram as medidas e a gente conseguiu
na data de hoje [quinta] deflagrar a operação a partir das 6h”, explicou o delegado Joca.
Ele falou também sobre o começo dos
trabalhos, em novembro. “A gente inicialmente focou toda a investigação voltada para integrantes da organização criminosa que atuavam na rua, praticando
crimes. E a partir da identificação de alguns deles, a gente conseguiu identificar também lideranças dentro do sistema prisional que determinavam e colaboravam
com a prática desses crimes na rua. Durante esse período de cinco meses, algumas ações foram evitadas. A gente conseguiu identificar também a autoria de
outras ações que foram cometidas, dentre crimes de roubo, principalmente homicídios”.
Com relação aos assassinatos ocorridos
no Norte da Ilha, em Florianópolis, o delegado afirmou que já há identificação dos suspeitos. “Foi gerado um procedimento à parte em virtude
desse inquérito-mãe. Ali na ocasião já foram presas cinco pessoas. Futuramente, serão representadas por mais três prisões preventivas desses
autores, daquelas ações no Norte da Ilha”.
Comunicação dentro dos presídios
O
secretário de Estado da Segurança Pública, César Grubba, também participou da coletiva de imprensa e falou sobre a comunicação entre
criminosos dentro e fora do sistema prisional catarinense. "É muito difícil você evitar totalmente que o mundo interno dos presídios, quem está dentro
do presídio ter que se comunicar com o mundo exterior. Até porque as formas de comunicação com o mundo exterior são as mais diversas
possíveis".
Sobre em quanto tempo as ações da polícia devem refletir na violência nas ruas, o secretário afirmou que
é difícil estipular um prazo. "Nós estamos trabalhando com afinco, com dedicação, a nossa polícia. O exemplo está nas
ações operacionais que estamos fazendo, na ação operacional da Polícia Militar de ontem [quarta], na operação da Deic de hoje [quinta], na
prisão de muitos criminosos, muitas armas, muitas drogas. Mas é muito difícil nós darmos um prazo, estabelecermos um prazo”.
Por
fim, também falou sobre as causas da criminalidade. “A própria sociedade pode colaborar não consumindo droga. Enquanto tiver elemento da sociedade consumindo
droga, vai ter o traficante vendendo droga. Então o estado social tem que atacar as causas primárias da criminalidade. Fazer trabalhos sociais. Quanto mais o estado aplicar no
social, menos vai aplicar na repressão”.
De acordo com a Secretaria, o grupo criminoso investigado tem envolvimento com roubo, tráfico de
drogas, associação para o tráfico, corrupção de menores, homicídio, estelionato, lavagem de dinheiro e porte/posse/comércio de armas de
fogo/munições.