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21/04/2017 | 06:45 | Geral

Safra de soja acima do esperado no RS causa dificuldades no escoamento e no armazenamento

Produtores improvisaram silos de plástico para armazenar os grãos. Cerealista reclama do tamanho do Porto de Rio Grande, que não recebe dragagem no canal de navegação desde 2012

Produtores improvisaram silos de plástico para 

armazenar os grãos. Cerealista reclama do tamanho do Porto de Rio Grande, que não recebe dragagem no canal de navegação desde 2012
safra recorde de soja no estado (Foto: Reprodução / RBS TV)
Apesar da importância da safra recorde de soja registrada em 2017 no Rio Grande do Sul para a economia do estado, os bons resultados do campo causam dois problemas para os agricultores: a falta de espaço para armazenar os grãos e a dificuldade para escoar os produtos.
"Hoje estamos lotados e não podemos atender mais o pessoal que está nos pedindo", afirma o empresário Carlos Eduardo Pinto, dono de uma empresa de Cruz Alta, no Noroeste do estado, que teve de alugar um espaço a mais para conseguir armazenar toda a produção.
Nem sempre a medida é suficiente. Alguns produtores precisaram guardar a soja dentro de silos plásticos, que inicialmente seriam usados apenas para colocar trigo e milho.
"A hora que liberar um silo, jogamos tudo para lá. Seria melhor que tivesse investimentos com juros baixos para investirmos mais em armazém, que é mais seguro", comenta o cerealista Clóvis Werlang.
O produtor também reclama do escoamento do Porto de Rio Grande, que segundo ele não dá vasão devido ao tamanho. "Se o porto tivesse mais cotas para descarregar essa soja, ela seria mandada para o porto. A estrutura do porto devia ser ampliada e bastante", sugere.
A cada dia, cerca de 2 mil caminhões descarregam soja no porto do Sul do estado. Dos terminais, os grãos seguem até os navios. Alguns, no entanto, não conseguem embarcar.
A profundidade no canal de navegação é de 12,8 metros. Desde o início da semana, a direção do vento mudou e a maré fez o nível da água baixar. Para piorar, o canal não é dragado desde 2012, o que aumenta o risco das embarcações encalharem.
Sem embarques, falta espaço nos armazéns e nos pátios de espera para os caminhoneiros. "Uma das poucas coisas boas que está funcionando no nosso estado é a agricultura. Nós temos que ter uma solução emergencial para esse problema que está acontecendo, não podemos ficar dependendo de São Pedro", diz o gerente de operações do terminal, Antônio Carlos Bacchieri Duarte. "Se não sair a carga, eu tenho que parar."
Em julho de 2015, o governo federal assinou o contrato de R$ 368 milhões para dragar o canal de navegação do porto. Quase dois anos depois, a obra ainda não começou.
"Foi adiado por questões de recursos orçamentários e nós, da autoridade portuária do porto de Rio Grande, temos uma expectativa bem positiva de que esse processo de execução da dragagem possa iniciar em julho-agosto para que essa situação seja corrigida, seja melhorada no canal", diz o diretor do Porto de Rio Grande, Darci Tartari.
Fonte: G1
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