Em resposta a um convite do presidente Michel Temer (PMDB) para vir ao
Brasil, o papa Francisco enviou uma carta em que comentou a situação política do país. Conforme informações obtidas pelo colunista Gerson
Camarotti, da GloboNews, o pontífice não tomou posição partidária, mas disse que não compete a ele sugerir uma solução para
"algo tão complexo".
"Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem
raízes sociais, políticas e econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo",
escreveu o Papa, segundo trecho publicado no blog de Camarotti nesta terça-feira. O colunista, no entanto, não especifica a data de recebimento da carta.
A correspondência foi uma resposta a outra enviada por Temer no fim do ano passado, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), na qual o líder da Igreja Católica
era convidado para a celebração dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida, comemorados em 2017.
Francisco escreveu que, por
causa da agenda intensa, não poderia visitar o Brasil. Em outubro, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia anunciado que o
pontífice não viria.
Na carta, o Papa faz, ainda, uma reflexão sobre a situação social do Brasil e pede a Temer uma
atenção especial à população mais pobre.
"Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que
muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para
crises que vão muito além da esfera meramente financeira", escreveu ele.