Pescadores, surfistas e moradores de Garopaba, no Sul de Santa Catarina, participaram de um abraço coletivo na Lagoa Encantada
durante a manhã deste sábado. Cerca de 200 pessoas se reuniram ao redor da lagoa, localizada entre as praias da Barra e Ferrugem, por volta das 9h30min, para protestar contra
a poluição na área. Segundo a comunidade, um projeto de esgotamento sanitário elaborado pela Casan poderia tornar o rio local para despejo de
esgoto.
Para um dos organizadores do evento, Fernando Nestrovski Camargo, a comunidade não questiona a necessidade de implementar um sistema de esgoto
na cidade. No entanto, o projeto feito não levou em consideração as características da cidade, que se construiu em volta da lagoa.
— A gente só não quer que o esgoto tratado venha a ser jogado na lagoa. Se alterar qualquer característica do lugar, seria um dano ambiental e social muito
grande, pois muitas pessoas sobrevivem da pesca artesanal — contou.
No projeto, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) - ainda em
construção no bairro Ambrósio - retirará entre 90% e 95% dos nutrientes de esgoto da água e a despejará no rio Linhares, que desemboca na Lagoa da
Encantada.
Um parecer feito pela comunidade, com a ajuda de técnicos da área de Engenharia Sanitária e Ambiental e da Antropologia, e que
será encaminhado para a prefeitura de Garopaba, questiona a Casan e a Fatma sobre a existência ou não de determinados estudos ambientais para realizar o despejo de
água tratada no local.
"A implantação do Sistema de Coleta e Tratamento de Esgotos proposto vem gerando dúvidas e
insegurança para a população, o que se intensificou no segundo semestre de 2016, quando uma maior arte da população, com destaque para o grupo dos
pescadores artesanais - que têm a Lagoa de Garopaba como um bem de uso comum –passou a se posicionar a respeito da proposta de disposição dos esgotos
tratados."