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17/05/2014 | 05:24 | Polícia

Assaltante de bancos preso em SC é especialista em nova técnica de roubo com explosivos

Foragido há dois meses, Luciano Comper tem 14 anos de ficha criminal

Foragido há dois meses, Luciano Comper tem 

14 anos de ficha criminal
Luciano Bischof Comper foi preso em Florianópolis (Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS)
Um cachorro Lhasa Apso marrom e diversas sacolas de roupas estavam no carro de um dos principais assaltantes de banco e carro-forte do Rio Grande do Sul, no momento de sua prisão, em Florianópolis, nesta sexta-feira. Luciano Bischof Comper, de 36 anos, o Peru, é especialista numa nova técnica de roubo com explosivos e suspeito de atuar em quadrilhas de Santa Catarina e Paraná. Com 14 anos de ficha criminal, estava há dois meses foragido. 
Calhas de ferro e cintas para amarrar cargas em caminhões eram as principais ferramentas usadas por Luciano Comper para abrir cofres com dinamite. A técnica herdada dos assaltos a carro-forte foi adaptada para a nova modalidade de roubo a banco que vem substituindo os ataques a caixa eletrônico: a explosão de cofres dentro das agências. O explosivo é o mesmo, mas a logística não.
— Os caixas eletrônicos já não têm tecnologia para suportar explosões. É inevitável que ocorra essse tipo de crime, afinal existem terminais em todo o lugar, é sinônimo de progresso inclusive. Com isso, os bancos diminuiram o montante de dinheiro nos caixas e passaram a guardar o volume maior nos cofres. Os criminosos, oportunistas, acabaram desenvolvendo novas técnicas como essa — observou o titular da Delegacia de Roubos e Extorsões do Departamento de Investigações Criminais (Deic) do RS, delegado Joel Wagner.
Dois roubos com este perfil, nos quais a participação de Comper é investigada, ocorreram no RS este ano: em 3 de março, em União da Serra, e em 7 de abril, em Barros Cassal. Em 10 de março, o Deic/RS apreendeu uma carga de dinamite em Porto Alegre que seria de Comper e prendeu um comparsa do assaltante, de acordo com o delegado Joel. No mesmo dia, Comper foi considerado foragido da Justiça porque não voltou para a cadeia, em Gravataí, onde cumpria pena por crimes de roubo, no regime semi-aberto.
A partir desse dia, o homem natural de Caxias do Sul com acusações de dois homicídios, prisões por assalto e formação de quadrilha, entre outros crimes, passou a ser prioridade da polícia gaúcha. Desde 2005, ele é investigado pelo Deic/RS. Há um mês, os policiais da Roubos receberam informações de que Comper estava em Santa Catarina. Não foi difícil chegar num dos esconderijos: a cobertura de um parente, em Jurerê, Norte da Ilha. 
A prisão na Ilha
Há um mês equipes do Deic do RS e de SC acompanham os passos de Luciano Comper. Sua companheira foi vista diversas vezes pelos policiais. Até que chegou a grande oportunidade na tarde desta sexta-feira. A polícia foi avisada de que ele sairia à tarde da cobertura, provavelmente com destino ao próximo esconderijo: o Paraná. Um contrato de locação daquele estado estava com o casal. A informação era quente. 
Por volta das 15h30min, o Hyundai HD-20 branco placas de Viamão (RS) saiu do prédio e seguiu pela rodovia SC- 401, que liga o Norte ao Centro de Florianópolis. As equipes não chegaram a tempo e pediram para a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) interceptar o carro. Cerca de 16h, o carro branco passou na barreira, na altura de Santo Antônio de Lisboa. Comper mostrou documento falso. Em minutos, os policiais da Deic chegaram.
— Você me conhece, Luciano? — perguntou o delegado do Deic.
— Sim, Joel Wagner_respondeu Luciano, vestido com jeans e jaqueta de couro.
A companheira do preso foi embora de taxi com o cachorrinho do casal. Luciano foi levado para a Deic de SC e seguiria para Porto Alegre nesta sexta-feira à noite. Ele foi preso por estar foragido e pelo mandado de prisão preventiva pelo crime de porte ilegal de explosivos, da apreensão de março, em Porto Alegre. Pareceu tranquilo durante a prisão. Na sede da Deic, em Florianópolis, não quis dar entrevistas. 
A cultura do carro- forte
A técnica usada atualmente foi adaptada dos assaltos a carro-forte, crime muito praticado nos anos 1900 e 2000 por duas quadrilhas no RS: a do Papagaio e do Seco. Os dois assaltantes de banco são contemporâneos de Luciano Comper e podem ter ligação com ele, não confirmada pelo Deic/RS.
Mais de 30 comprovantes de depósito foram apreendidos com Comper. Desses, 14 foram feitos no mesmo dia, em abril, em cidades paranaenses. Todos tem o mesmo valor de R$ 1.500. A polícia acredita que Comper tenha feito um grande assalto no Paraná, em abril, e para não viajar com dinheiro preferiu depositar na conta da companheira.
O assaltante gaúcho é suspeito de ter ligações com quadrilhas catarinenses e paranaenses. No RS, ele lidere seu próprio bando, mas nos estados vizinhos estaria sendo contratado para repassar sua técnica de explodir cofres com sucesso. Sua renda é relativa, de acordo com o número de participantes no assalto e com o volume roubado. 
De acordo com o delegado Joel Wagner, há cofres com até R$ 500 mil. O policial vai analisar todos os crimes que Comper possa ter cometido na região Sul. Participaram da investigação e prisão, policiais da Delegacia de Roubos de Deic/SC, coordenados pelo delegado Anselmo Cruz.
Fonte: Zero Hora
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