Um motorista de van escolar foi indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio
Pardo, interior do Rio Grande do Sul. O homem está preso desde o dia 27 de março, suspeito de abusar de alunos que transportava.
Segundo a delegada
Lisandra de Castro de Carvalho, responsável pelo caso, dez crianças e um adulto com um tipo de deficiência relataram contato físico com o motorista durante o
trajeto até as escolas. Pelo menos três deles confirmaram que houve toques nas partes íntimas.
Os depoimentos foram colhidos na presença de
uma psicóloga responsável por avaliar não apenas o que era dito pelas crianças, mas as reações durante a conversa, como retração,
medo e constrangimento.
"Os atos libidinosos, muitas vezes, não deixam vestígios. O toque na região íntima em um exame pericial
não é possível verificar no corpo da vítima. O beijo na boca não deixa vestígio. Não precisamos de um laudo pericial que diga que houve uma
relação sexual com penetração para configurar crime", disse a delegada.
De acordo com Lisandra, as ações aconteciam
pelo menos desde janeiro, sempre que o motorista ficava sozinho com as crianças. O estupro de vulnerável é caracterizado por qualquer ação que vise prazer
sexual com menores de 14 anos, com pessoas doentes ou deficientes.
A investigação aponta que o homem ganhava a confiança de alunos e familiares
antes de praticar os abusos. "Se trata de uma pessoa simpática, querida pelas crianças e pais. Teve que cativar, se aproximar, dar presentes. Foi assim que ele conquistou
e conseguiu aproximação física. Muitas crianças não conseguem compreender as carícias como abuso sexual. Às vezes, encaram aquilo como
carinho", disse a delegada.
O nome do motorista não foi divulgado para preservar os alunos. Por isso, o caso corre em segredo de Justiça. Ele
está preso preventivamente no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul e chegou a ser agredido por presos na semana passada.