Após ter o mandado de prisão revogado no início do mês, a mulher do advogado
Maurício Dal Agnol se apresentou nesta sexta-feira (16) no Fórum de Passo Fundo, na Região Norte do Rio Grande do Sul. Márcia Fátima Dal Agnol é
uma das cinco pessoas indiciadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal na Operação Carmelina, por suspeita de participar de um esquema que
enganava clientes de ações judiciais. O marido está foragido desde o dia 21 de fevereiro, após a PF identificar um golpe que pode ter lesado mais de 30 mil
clientes.
Márcia entregou uma carta precatória na 3ª Vara Criminal para poder se apresentar na comarca de Curitiba, onde pretende morar. Ela havia
tido a prisão decretada no dia 28 de abril, mas a decisão foi revogada pelo Tribunal de Justiça no dia 2 de maio. O esquema pode ter faturado cerca de R$ 100
milhões.
Ainda em fevereiro, a PF informou que o casal estaria em férias nos Estados Unidos. Márcia chegou a pagar uma fiança de R$ 724
mil, mas deveria ter se apresentado à Justiça de Passo Fundo na época, o que não ocorreu.
A Operação
Carmelina
Segundo a Polícia Federal, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal Agnol, procurava os clientes com a proposta de entrar com
ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito menor da que havia sido
estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente.
Ao cumprir mandados de busca da Operação Carmelina na cidade do Norte
do Rio Grande do Sul na sexta, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do homem. Além da quantia, animais selvagens empalhados
e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas
bancárias e imóveis.
A Operação Carmelina foi desencadeada, no mês passado, em Passo Fundo, no Norte, e em Bento Gonçalves, na
Serra. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A operação foi batizada de
Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz se
tivesse recebido o valor da maneira adequada.