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Ministério Público denunciou nesta sexta-feira (16) 14 pessoas investigadas na quinta fase da Operação Leite Compensado, no Rio Grande do Sul. Três dos
denunciados já estão presos preventivamente. São eles: o dono da Pavlat, Erico Vanor Klein, o proprietário da Hollman, Sergio Alberto Seewald, e o
funcionário da indústria Jonatas William Kronbauer. Outras 11 pessoas que faziam o transporte do leite adulterado também foram incluídas na
denúncia.
De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, os suspeitos vão responder por diversos delitos - 69 no total - enquadrados no Artigo 272 do
Código Penal, que trata da adulteração de produtos alimentícios (corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício
destinado a consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo). As penas previstas vão de quatro a oito anos de prisão e multa. A
denúncia, com 140 páginas, foi protocolada no Fórum de Teutônia.
Cada denunciado responderá pela quantidade de vezes que foi flagrado
transportando leite fraudado ou adulterando o produto. Confira abaixo a relação completa dos 14 nomes indicados pelo MP e a proporção de suas respectivas
denúncias.
- Ércio Vanor Klein (proprietário da Pavlat) – responderá pelo crime 24 vezes;
- Sergio Alberto
Seewald (proprietário da Hollman) – responderá pelo crime 45 vezes;
- Jonatas William Kronbauer (funcionário Hollman) –
responderá pelo crime 45 vezes;
- Décio Bruxel (transportador) – responderá pelo crime três vezes;
- Carlos
Eduardo Delavy (transportador) - responderá pelo crime duas vezes;
- Fábio Gustavo Lohmann (transportador) - responderá pelo crime dez
vezes;
- Claudio José Richter (transportador) - responderá pelo crime quatro vezes;
- José Rodrigo Scherer (transportador)
- responderá pelo crime duas vezes;
- Dirceu Lutterbeck (transportador) - responderá pelo crime duas vezes;
- José Omar
Pedersini (transportador) - responderá pelo crime duas vezes;
- Olécio Jose Muller (transportador) - responderá pelo crime quatro vezes;
- Maicon De Conto (transportador) - responderá pelo crime uma vez;
- Luciano André Petry (transportador) - responderá pelo crime
14 vezes;
- Aldacir José Barro (transportador) - responderá pelo crime uma vez;
Entenda
A Operação Leite Compensado, do Ministério Público, teve sua primeira fase desencadeada em 8 de maio do ano passado. As
investigações apontaram para um esquema que adulterou cerca de 100 milhões de litros do produto no estado. Na ocasião, o MP revelou que transportadores estavam
adicionando água e ureia (que contém formol) ao leite crú para aumentar o volume e disfarçar a perda nutricional no caminho entre a propriedade rural e a
indústria. O esquema era realizado em postos de resfriamento.
Na primeira fase, foram identificadas fraudes nos municípios de Guaporé, Horizontina e
Ibirubá. Quinze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e oito foram presas. Destas, quatro estão em liberdade. Seis pessoas foram condenadas pela
Comarca de Ibirubá. A sentença foi proferida pelo juiz Ralph Moraes Langanke em dezembro de 2013.
Os condenados são: Paulo César Chiesa
(dois anos e um mês de reclusão em regime semiaberto), João Irio Marx (nove anos e sete meses de reclusão em regime fechado), Angélica Caponi Marx (nove
anos e sete meses de reclusão em regime fechado), Alexandre Caponi (nove anos, três meses e 12 dias de reclusão em regime fechado), João Cristiano Pranke Marx (18
anos e seis meses de reclusão em regime fechado) e Daniel Riet Villanova (onze anos e sete meses de reclusão em regime fechado).
A segunda fase da
Operação Leite Compensado foi deflagrada em 22 de maio do ano passado nos municípios de Ronda Alta e Boa Vista do Buricá. Quatro pessoas foram presas e seis
foram denunciadas pelo MP. Dessas, três estão em liberdade. O processo ainda está em andamento e ninguém foi condenado. Já a terceira etapa foi realizada
em 7 de novembro de 2013 no município de Três de Maio. Quatro pessoas foram denunciadas. Ninguém foi preso.
A quarta fase foi desencadeada 14 de
março deste ano nas cidades de Condor, Panambi, Tupanciretã, Bossoroca, Capão do Cipó, Vitória das Missões, Ijuí e Santo Augusto. Até
agora, uma pessoa foi denunciada. O processo ainda está em andamento.
Para marcar um ano da primeira fase da operação, o MP deflagrou em 8 de maio
deste ano a quinta fase da Operação Leite Compensado. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão em dez cidades do Vale do Taquari e
Vale do Sinos. Pelas investigações, os três presos – Ércio Vanor Klein, Sérgio Seewald e Jonatas William Krombauer – davam ordens para que
subordinados corrigissem, com adição de diversos produtos (citrato, soda cáustica, bicarbonato de sódio, água oxigenada, entre outros), a acidez do leite
cru que estava se deteriorando.