A decisão de uma delegada de registrar
como invasão de domicílio um caso relatado como tentativa de estupro está causando polêmica em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de SC. Segundo
policiais que atenderam a ocorrência, a delegada de plantão Daniela Elisa de Souza Bruce constrangeu a vítima durante o registro, fazendo questionamentos sobre o fato de
a mulher ter esquecido a porta de casa aberta, dando a entender que ela teria facilitado a entrada do homem.
O caso aconteceu na madrugada desta segunda-feira, no bairro
Vila Real. O suspeito Márcio Gleison da Silva, de 34 anos, que tem passagens pela polícia pelos dois crimes, foi encontrado no quarto da vítima por volta das 2h. No
relatório da Polícia Militar (PM), a mulher disse que acordou com o homem "tocando em suas partes íntimas e com as calças já baixadas na altura dos
joelhos". Após os gritos de socorro, o filho dela, que dormia no quarto ao lado, deteve Márcio até a chegada dos policiais.
De acordo com
o comandante da PM na região, José Evaldo Hoffmann, no momento em que os policiais acompanhavam os procedimentos para o registro do boletim de ocorrência na Delegacia da
Comarca, a delegada Daniela gritou com a vítima. Segundo Hoffmann, ela descaracterizou o crime contra a dignidade sexual questionando "Quem mandou dormir com a porta aberta.
Pensas que mora na Suíça?"
— Os policiais que estavam na ocorrência disseram que ela (a delegada) brigou com a vítima dizendo
que a culpa era da senhora, pois tinha deixado a porta aberta. É um constrangimento enorme o que a mulher passou na delegacia — afirmou Hoffmann.
O
comandante pretende informar o caso para a delegacia regional nesta tarde e a expectativa é de que o crime de estupro seja incorporado ao boletim de ocorrência. Com isso, a
investigação passará para a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso e Delitos de Trânsito da cidade.
A delegada Daniela foi procurada, mas ela não estava mais na delegacia. O delegado regional Davi Queiroz não atendeu às ligações do
DC.