O juiz da Comarca de Três Passos, Marcos Luís Agostini, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) contra os quatro acusados pelo
envolvimento na morte de Bernardo Boldrini, de 11 anos, na Região Norte do Rio Grande do Sul. Conforme a assessoria do Tribunal de Justiça, responderão a processo
criminal o pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga dela, Edelvânia Wirganovicz e o seu irmão, Evandro Wirganovicz.
Com
isso, o pai, a madrasta e a assistente social viraram réus em processo criminal e responderão por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil,
emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Evandro também responderá por ocultação de
cadáver. O pai também responderá por falsidade ideológica.
O juiz autorizou o pedido de novas investigações efetuado pelo
MP e mateve a prisão temporária de Evandro Wirganovicz, preso no último sábado (10). No despacho, o julgador afirma que a defesa não apresentou fato novo
para justificar a revogação da prisão e que o prazo de 30 dias da prisão temporária ainda não está esgotado. Agostini acrescentou que a
investigação prossegue para apurar a participação de Evandro, inclusive quanto ao homicídio, sendo imprescindível a segregação
cautelar.
Durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira (15), o MP sustentou ter elementos que comprovam que Leandro Boldrini foi o “patrocinador” do
crime, como interceptações telefônicas (ouça os áudios) e laudos periciais. "Ele tinha o domínio do fato. A decisão da morte do filho
foi dele. A prova existe", sintetizou a promotora Dinamárcia Maciel. A promotora disse ainda que Leandro manipulou a esposa para que ela matasse Bernardo.
Ao lado dela, estava o subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Marcelo Dornelles. O anúncio sobre a denúncia ainda foi acompanhado pela delegada
Caroline Bamberg Machado, titular da Delegacia de Polícia de Três Passos e responsável pelo inquérito que apurou o caso, além da delegada Cristiane de
Moura e Silva Bauss, titular da Delegacia Regional de Três Passos, que também auxiliou nas investigações.
Denunciados pelo
Ministério Público:
Leandro Boldrini: atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com
Graciele. Ele também auxiliou na compra do remédio Midazolan em comprimidos, fornecendo a receita azul. Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história
para que tal crime ficasse impune. Ele responderá também por falsidade ideológica por ter registrado um boletim de ocorrência com informação falsa,
já que, segundo o MP, ele sabia da localização do filho.
Graciele Ugulini: mentora e executadora do delito de homicídio, bem como da
ocultação do cadáver.
Edelvânia Wirganovicz: executora do delito de homicídio e da ocultação do cadáver.
Evandro Wirganovicz: ocultação de cadáver.
Qualificadores:
Motivo torpe: uma vez que
Leandro e Graciele não queriam partilhar com Bernardo os bens deixados pela mãe da criança. Em relação à Edelvânia, a torpeza fica
evidenciada, conforme a denúncia, pelo fato de ela ter aceitado participar do homicídio mediante pagamento ou recompensa. Ela recebeu de Graciele a quantia de R$ 6 mil,
além da promessa de auxílio financeiro para aquisição de um imóvel.
Motivo fútil: já que Bernardo era filho do
casamento anterior de Leandro, ele representava “um estorvo” para a nova unidade familiar estabelecida entre o pai e a sua madrasta, conforme a denúncia.
Emprego de veneno: segundo o MP, os acusados ministraram superdosagem do Midazolam a Bernardo.
Dissimulação e recurso que dificultou a defesa
da vítima: Bernardo, sem condições de saber das intenções homicidas, foi conduzido até Frederico Westphalen e recebeu superdosagem, via oral e
intravenosa, do medicamento.
Entenda
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às
18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que
foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4, a
madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele
trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
"O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser
multada", relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do CRBM. A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.
O pai registrou o
desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. Na segunda-feira (14), o corpo do garoto foi localizado. De acordo com a delegada
responsável pela investigação, o menino foi morto por uma injeção letal, o que ainda precisa ser confirmado por perícia. A delegada diz que a
polícia tem certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino, mas resta esclarecer como se deu a participação de cada
um.