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15/05/2014 | 18:09 | Polícia

Ouça áudios de familiares decisivos para incriminar pai de Bernardo

Ministério Público divulgou escutas telefônicas de familiares de Graciele Ugulini

Ministério Público divulgou escutas telefônicas de familiares de Graciele Ugulini
Promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira explica as gravações (Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS)
Provas mais fortes do envolvimento do médico Leandro Boldrini no assassinato do próprio filho, o menino Bernardo Uglione Boldrini, escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Civil durante as investigações do crime revelaram conversas entre familiares de Graciele Ugulini, madrasta do garoto, confirmando o envolvimento de Boldrini no homicídio. Em um deles, o padrasto de Graciele – identificado como Sérgio –, fala que não tem dúvidas de que Boldrini é o mentor ideológico:
"O mentor ideológico é ele (Leandro Boldrini). Eu não tenho dúvida disso. Essa certeza que a delegada tem eu também tenho".
Ouça a gravação:

As escutas telefônicas foram divulgadas durante uma entrevista coletiva do Ministério Público nesta quinta-feira em Três Passos. O órgão ofereceu denúncia contra Leandro, Graciele e Edelvania Wirganovicz por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Leandro Boldrini foi denunciado, ainda, por falsidade ideológica. Além disso, Evandro Wirganovicz – irmão de Edelvania – foi denunciado por ocultação de cadáver.
Nas interceptações telefônicas, Sérgio comenta com uma mulher chamada Magali sobre o depoimento de Graciele inocentando o médico. "Ele vai acabar saindo, né. Ela inocentou ele, mas acho que isso aí é jogo dos advogados".
Veja o diálogo:
Sérgio - Nada me faz pensar diferente. Até pelas cinco, seis vezes que eu convivi ajudando na procura do Bernardo, que eu convivi com o Leandro.
Magali - Leva a crer e ter certeza de que...
Sérgio - Que o mentor ideológico é ele. Eu não tenho dúvida disso.
Magali - Com certeza.
Sérgio - E ele vai acabar saindo. Ela inocentou ele, né, no depoimento.
Magali - Isso que eu não entendi por quê.
Sérgio - Acho que é jogo dos advogados.
Magali - Mas tu viu que a delegada tem certeza do envolvimento dele. Alguma coisa ela tem que que ter.
Sérgio - Mas a certeza que ela tem, eu também tenho.
Em outro áudio apresentado pelo Ministério Público, Sérgio conversa com o filho Leonardo sobre a carta que Graciele enviou, em que inocenta o médico. Ele afirma que os advogados de defesa se reuniram para discutir estratégias e volta a reafirmar a participação de Leandro Boldrini no assassinato.
Veja o diálogo:
Leonardo - Pai, mas o Leandro tem a ver, né?
Sérgio - Claro, mas ela mandou uma carta ontem para a Simone inocentando ele. Mas os advogados se reuniram na semana passada para ver uma estratégia para ele sair de tudo, né, e ela fica pagando lá e depois dá um jeito.
Leonardo - Vai ficar dez anos, né?
Sérgio - Não fica dez, fica cinco, seis anos. Cada dia trabalhado, três dias trabalhado, desconta um.
Leonardo - É, então se fica dez anos, vai descontando, fica sete.
Sérgio - Aí, fica sete, né.
Leonardo- Depois, mais o bom comportamento e tal vai pro semiaberto.
Na terceira gravação revelada na entrevista coletiva, o MP mostrou que a irmã de Graciele, Simone Ugulini, conversa com uma mulher não identificada e comenta que Leandro fez uma "lavagem cerebral" na madrasta e deve ter enlouquecido ela.
Veja o diálogo:
Mulher - Ele pilhou a Keli (apelido da madrasta).
Simone - Não, a Keli não é assim. A gente conhece a minha irmã.
Mulher - Ele enlouqueceu ela, Simone, como deve ter enlouquecido a Odilaine (Uglione, mãe de Bernardo que teria cometido suicídio em 2010). Não sei, uma lavagem cerebral. Ele deve ter enlouquecido ela como enlouqueceu a outra.
Simone - É.
Mulher - Sei lá o que ele faz. Não sei, não sei.
Simone - Lavagem cerebral.
De acordo com a promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira, há um conjunto de interceptações telefônicas que montam um quebra-cabeça do envolvimento direto de Leandro Boldrini no assassinato. Apenas três foram divulgadas, e as demais estão anexas ao inquérito policial, que chegou a 15 volumes e mais de 2 mil páginas. A Justiça deve se pronunciar se aceita ou não a denúncia até a sexta-feira.
Fonte: Zero Hora
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