Seis pessoas foram indiciadas pela Delagacia do
Consumidor (Decon) da Polícia Civil nesta quinta-feira (15) por crime contra a saúde pública, crime de estelionato, crime contra as relações de consumo e
falsidade ideológica. Eles são acusados de esconder 163 mil litros de leite vencido em um depósito em Teutônia, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. O
produto era vendido ilegalmente mesmo após pedido do Ministério Público (MP) para cessar a comercialização dos lotes. O documento será encaminhado
à Justiça nesta tarde.
A investigação partiu de uma denúncia anônima de agosto de 2013. Conforme o delegado Fernando Soares,
titular da Decon, os lotes haviam sido denunciados pelo MP durante a primeira Operação Leite Compensado, realizada em maio do ano passado. A maioria do leite adulterado foi
tirada de circulação, no entanto, as empresas Latvida e Hollmann continuaram a comercializar o produto e armazená-lo em um depósito clandestino.
“Eles se associaram e alugaram um ginásio de esportes abandonado. Nós encontramos 163 mil litros de leite de caixinha que estavam escondidos para que a
fiscalização não tivesse conhecimento. Depois, eram transportados para a Latvida”, explicou o delegado.
Além do armazenamento ilegal,
o inquérito apurou que um dos sócios da Latvida fez declarações falsas, em nome de dois agropecuaristas da região. “Eles assinaram [os
agropecuaristas] dizendo que o leite referente aquelas caixas tinha sido retirado das fábricas, mas apuramos que não era verdadeiro”, pontuou Soares. “Em
função da Operação Leite Compensado, o leite era retirado de comercialização, mas depois desviado e reutilizado”.
Um
dos apontados, Sérgio Seewald, dono da Hollmann, já está preso. Ele foi detido durante a quarta fase da Operação Leite Compensado, que ocorreu no
início deste mês. Ele é químico industrial por formação, e chegou a ser condenado por adulterar leite em 2006. Se a denúncia for acatada,
responderá por mais crimes. O G1 tentou contato com o advogado de Seewald, mas não obteve retorno.
O outro indiciado é Rui José Sulzbach,
um dos proprietários da empresa VRS, que usa a marca Latvida. A prisão preventiva dos dois foi pedida pela Decon. O G1 tenta contato com a empresa.
Além deles, Valdir José Sulzbach, da Latvida, e Eduardo Fuhr, da Hollmann, também são indiciados por crime contra a saúde pública, crime de
estelionato e crime contra as relações de consumo. Dois agropecuaristas são acusados de falsidade ideológica, mas a Polícia Civil decidiu não
divulgar os nomes.