A defesa do motorista gaúcho Jeferson Rodrigo de Souza Bueno, indiciado pelo atropelamento de três pessoas, a morte de
uma e ferimentos graves em outros dois homens na madrugada de Réveillon, em Florianópolis, entrou com uma ação indenizatória contra Robson de Jesus
Cordeiro, motorista de um Audi que também se envolveu no acidente ocorrido em Ingleses, norte da Ilha, nas primeiras horas de 2017. Bueno foi indiciado pela Polícia Civil
nesta semana e esta foragido desde o dia 1° de janeiro.
No processo, Bueno, indiciado por homicídio doloso qualificado, lesão corporal grave e
lesão corporal gravíssima por atropelar as vítimas, pede indenização superior a R$ 200 mil a Cordeiro, que mora em Florianópolis e não foi
indiciado pelo delegado Eduardo Matos, responsável pela investigação. Na ação também consta o nome de Valdir Luiz Vieira, cujo nome consta como
proprietário do Audi no sistema do Detran.
A reportagem apurou que a ação impetrada pelo advogado Ademir Costa Campana, que defende Bueno, visa
através do valor de R$ 206.492,00 reparar seu cliente por supostos danos morais que teria sofrido devido à exposição na mídia e dentro da própria
investigação, onde foi apontado pela polícia como responsável pelo acidente. O pleito indenizatório quer reaver também supostos prejuízos
que o veículo do indiciado, o Camaro, teria sofrido após o acidente, já que o carro, além de bastante danificado, permanece em Santa Catarina.
— Vamos buscar a reparação pelo injusto indiciamento do meu cliente, pois o inquérito é contraditório e o delegado, em determinados
momentos, parece não ter se dado ao trabalho de sequer ler os autos. Também vamos buscar ressarcir moralmente meu cliente, que é tão vítima do caso como a
vítima que morreu e os que se feriram — explica Campana, que justifica o pedido de Assistência Judiciária Gratuita "porque meu cliente é assalariado e
não tem condições de arcar com custas processuais, já que foi demitido".
A reportagem tenta localizar Robson de Jesus Cordeiro
e Valdir Luiz Vieira, para ouvi-los sobre pontos levantados pela defesa de Bueno e o processo movido contra os dois, mas ambos ainda não foram encontrados para comentar o assunto.
Como na ação movida contra eles não aparece o nome de nenhum advogado, não foi possível falar com a defesa de ambos.
Defesa de Bueno alega insuficiência de recursos em processo contra motorista do Audi
Além de buscar indenização em dinheiro
referente aos fatos ocorridos nas primeiras horas de 2017, o advogado de Bueno, Ademir Costa Campana também ingressou com um agravo de instrumento dentro da ação para
que seu cliente não tivesse que pagar as despesas do processo. Ele alegou insuficiência de recursos para arcar com os gastos, argumentando que Bueno está desempregado e
não teria condições de pagar custas processuais.
O pedido, contudo, foi rejeitado pela juíza de 1° grau Káren Rick
Danilevicz Bertoncello. A magistrada ressaltou que em pedidos como esse precisam ser juntadas as agravantes provas da real impossibilidade de arcar com referidas despesas, se não,
ressalta, fica inviável a concessão do benefício. Em sua justificativa, Káren expõe que Bueno juntou aos autos comprovante de renda desatualizado e
assinala "ser fato notório a condição que o autor ostenta em suas redes sociais, bem como a propriedade de veículo de luxo".
"O que, ao entender deste Juízo, afasta a possibilidade de concessão do benefício, uma vez que caracterizada sua capacidade econômica. Por conseguinte,
é imperiosa o indeferimento do pedido de Assistência Judiciária Gratuita formulado pelo autor Jeferson Rodrigo de Souza Bueno, uma vez que não logrou êxito
em comprovar a impossibilidade fática de arcar com as despesas processuais", destaca a juíza.
Após a decisão em 1º grau, a
defesa de Bueno recorreu ao 2° grau para que o pedido de Assistência Judiciária Gratuita seja reavaliado. As polícias de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e
Paraná seguem sem pistas do paradeiro de Bueno.
O acidente
Bueno atropelou Cristiane Flores, 31 anos, que morreu
no local, o esposo dela, Nilandre Lodi, 36 anos, que teve as duas pernas amputadas, e Gean Mattos, 22 anos.
O motorista conduzia um Camaro com placas de Sapiranga, no
Rio Grande do Sul (RS), onde morava e é sócio proprietário da JCR Metais, empresa especializada na produção de metais para segmentos como calçados
e bolsas.Por volta das 3h, o carro invadiu a calçada em frente à loja RMS Auto Som, na rodovia Armando Cali Bulos.
Nilandre é
proprietário do estabelecimento e retornava com a esposa para a casa da família, que fica nos fundos do local. Lá, familiares e os filhos, uma menina de 13 anos e um
menino de 5, os aguardavam.
Antes de atingir as três pessoas, o Camaro bateu em um Audi – que era conduzido por Robson de Jesus Cordeiro e está em
nome de Valdir Luiz Vieira - e numa Hilux. Nilandre e Cristiane eram de Passo Fundo (RS) e estavam juntos há 8 anos, três deles morando em Florianópolis.