Em meio a debates nas
ruas e ansiedade, a pequena cidade de Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul, vive as últimas horas antes do anúncio oficial da Polícia Civil sobre o
resultado da investigação do assassinato de Bernardo Boldrini, 11 anos. A manhã desta terça-feira (13) será marcada por uma passeata que terminará
no Fórum do município.
O pai da criança, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e a assistente social Edelvania Wirganovicz estão
presos desde o dia 14 de abril, mesma data que o corpo do menino foi encontrado em uma cova em Frederico Westphalen. A cidade fica a cerca de 80km de Três Passos, cidade onde o menino
morava. Ele estava desaparecido desde 4 de abril. No último sábado (10), foi preso também Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvania, também por suspeita de
participação no caso.
Nascido e criado em Três Passos, o representante comercial Leandro Alves, 35 anos, refletia sobre o caso, na noite desta
segunda (12), na mesa de um bar, em um posto de combustível. Ele diz ter sido atendido por Leandro Boldrini no dia 4 de abril, quando o crime teria ocorrido.
"Estou ansioso demais (com o final da investigação). Fui ao consultório dele naquele dia. Cheguei lá às 16h e tinha muitos pacientes. Tinha que levar
uns exames. E foi tudo normal", relatou Alves. Ele pretende abandonar os compromissos pessoais em nome do interesse pelo desfecho do caso. "Pretendia viajar, mas resolvi ficar
aqui. A expectativa é de que muita coisa seja revelada", diz.
Perto de outro bar no centro de Três Passos, três amigos travavam um debate sobre
as hipóteses do crime. Levantavam dúvidas sobre a participação do pai no assassinato. O G1 tentou entrevistá-los, mas o receio da repercussão local
ao ter o nome citado na imprensa ainda os impediu. "Não quero ter meu nome citado. Há muita fofoca na cidade, muita distorção", disse um deles.
Paciente de Leandro Boldrini há 10 anos, o servidor público Wilson Neuhaus, 51 anos, acredita que o inquérito policial não deve estabelecer
novidades. "Tudo vai ser decidido na Justiça. Mas tenho uma opinião: o médico não tem culpa. Mas claro, minha opinião é da minoria na cidade.
A esmagadora maioria quer todos eles atrás das grades", avaliou Neuhas.
Há sete anos morando em Três Passos, o técnico em
eletrônica Jair Huppes, 34, se mostrava acanhado e temeroso em falar no assassinato. "Interessar interessa, mas prefiro não dar opinião", disse.
A entrevista coletiva que deve anunciar a lista de indiciados pela morte está programada para começar as 14h30, no auditório da Unijuí.
Após 30 dias de investigação sob segredo de justiça, a delegada Caroline Bamberg irá expor detalhes que fundamentaram as provas contra os
suspeitos.
Mais cedo, às 9h30, está programada a caminhada "Corrente do Bem", com saída na Praça Reneu Giraldino Mertz e
término na sede do Poder Judiciário no município.