Preso por suspeita de financiar uma quadrilha de roubo de cargas, o delegado Omar Abud foi flagrado com um celular dentro de uma cela da
Polícia Civil, em Porto Alegre. O aparelho foi descoberto com o policial durante uma revista que foi feita no local na sexta-feira (25).
Abud assumiu ser o
dono do celular. A delegada plantonista autuou o policial pedindo que ele fosse preso em flagrante por causa da atitude. No Judiciário, o juiz plantonista Volnei dos Santos Coelho
entendeu que ele não precisaria permanecer preso por portar o celular. Porém, como ele tem um mandado de prisão preventiva em vigor, não poderia ser
solto.
O delegado foi preso durante cumprimento de mandados da "Operação Financiador". Deflagrada no dia 21 de fevereiro, a
ação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil trouxe à tona um esquema de roubo de cargas. A investigação coloca Abud
no topo da quadrilha, junto com o comissário Luis Armindo de Mello Gonçalves - preso no mesmo dia.
Conforme o chefe da Polícia Civil, delegado
Emerson Wendt, a informação repassada informalmente é de que o aparelho celular foi levado por Abud no dia em que foi preso. O telefone estaria camuflado nas roupas que
ele vestia.
Questionado se o preso pode ter atrapalhado a investigação fazendo contato com pessoas de fora do presídio, o chefe de
Polícia garante que não. "Não creio que atrapalhe, já que boa parte das provas são técnicas e já estão sendo analisadas",
declarou.
Wendt relata que o encontro do aparelho se deu em uma revista de rotina feita na carceragem do Grupamento de Operações Especiais, que
fica no Palácio da Polícia. Ele afirma, inclusive, que no mesmo dia, um agente penitenciário que se encontra preso no local também foi encontrado com um
celular.
Uma apuração interna foi aberta para saber como o delegado preso teve acesso ao celular. A Polícia Civil não revelou para
quem Abud ligou, e que isso vai ser mostrado durante o inquérito.
O advogado de Abud, André Luiz Callegari, confirma que o celular era do policial e que
foi usado para falar com parentes e contratar o trabalho da defesa. O advogado questiona, porém, que o delegado tenha entrado com o aparelho na cela. Callegari comenta que, por ser
um agente experiente, Abud não seria "ingênuo" para utilizar o telefone para entrar em contato com investigados que provavelmente estão com escutas autorizadas
para destruição de provas.