Cerca de sete toneladas de agrotóxicos que, segundo a polícia, contém substâncias não permitidas para venda e uso no Brasil, foram
apreendidas neste sábado (18) em Quaraí, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
Os produtos estavam em um galpão. O serviço de
inteligência, envolvendo Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal já monitorava o local.
As
investigações agora seguem para tentar identificar o dono da carga, já que não havia ninguém no galpão. Conforme a delegada Ana Luiza Tarouco, a
carga estava pronta para o transporte, e provavelmente foi contrabandeada.
"É provável que venham do Uruguai e sejam embalados em Quaraí,
até adulterando a embalagem", diz a delegada. "A Anvisa não aceita esses produtos porque contêm substâncias prejudiciais. Agora a perícia vai
atestar as substâncias encontradas [na carga apreendida]", completa.
A polícia acredita que as embalagens são substituídas por outro
produto de fabricação nacional no intuito de burlar a fiscalização.
Ainda de acordo com a delegada Ana Luiza, recentemente a PRF fez uma
apreensão de agrotóxicos proibidos em uma rodovia de Quaraí.
Uma série de reportagens da RBS TV em 2016 mostrou que a rota de
agrotóxicos ilegais no Brasil passa pelas fronteitas do Rio Grande do Sul com Uruguai e Paraguai.
Em Artigas, no Uruguai, na fronteira com Quaraí,
não é exigido receita para compra dos agrotóxicos, mesmo para os proibidos no Brasil. "Para lagarta da soja é o benzoato que estão usando”,
disse um vendedor.
Outro vendedor garantiu na reportagem que o transporte de agrotóxicos até o Brasil é "tranquilo", e chegou a indicar
pessoas que poderiam fazer o serviço.
Em Ciudad del Este, no Paraguai, é possível encontrar qualquer tipo de agrotóxicos. Na cidade paraguaia,
a venda desses agrotóxicos proibidos no Brasil acontece de forma livre também em grandes lojas de defensivos agrícolas, e sem necessidade de receituário.
"A gente tem uma lista de produtos que compensam você levar pra lá. Para valer a incomodação, tem que render", disse outro
vendedor.