Familiares de vítimas da tragédia aérea com a Chapecoense têm sido assediados por advogados americanos com a promessa de
indenizações milionárias pela Justiça dos Estados Unidos e maiores do que as concedidas por Brasil e Bolívia, países indicados para as
ações do caso. A denúncia é da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa). O
acidente deixou 77 mortos em 29 de novembro de 2016 na Colômbia.
Segundo Sandra Assali, dirigente da Abrapavaa, os parentes das vítimas estão
ficando assustados com a insistência na abordagem destes profissionais. Confira a nota de alerta da associação na íntegra.
“Eles
prometem indenizações milionárias, estão fazendo captação de clientes, o que é proibido por lei, com promessas absolutamente sem sentido,
sem a menor chance de sucesso. Além disso, cobram entre 35% a 40% de honorários nas propostas de representação, valores extorsivos e também proibidos por
lei. Eu tenho sido muito clara, R$25 milhões é o valor da apólice, não tem o que ganhar mais do que isso”, diz Sandra.
A dirigente
da Abrapavaa conta que várias famílias têm consultado a associação sobre o assunto.
“Essa situação
está nos deixando preocupados, porque a nossa experiência com acidentes do passado, como o caso do acidente com a TAM em 2007, do acidente da GOL de 2006 e outros diz que nunca
dá certo. Quando entram na Justiça americana, as ações são rejeitadas. Enquanto isso, há um grande desgaste emocional das famílias”,
relata.
A associação dispõe de documentos que comprovam a rejeição da justiça americana e a inadequação da
proposta destes profissionais. Confira os documentos aqui.
Conforme Sandra, o fórum eleito para o caso do acidente com a Chapecoense é Brasil e
Bolívia, que está registrado no contrato feito pelo clube com a companhia aérea Lamia.
Quinto no ranking de
indenizações
“Infelizmente, soube que alguns familiares já assinaram contrato com esses advogados. As pessoas têm livre-
arbítrio, mas a nossa indicação, enquanto Abrapavaa, que já acompanhou mais de 100 acidentes aéreos, é de que essas propostas não têm
chance de dar certo, quem assinou esses contratos acabou fazendo acordos no Brasil e tendo que pagar honorários absurdos. No fim das contas, recebeu uma indenização
menor do que a obtida por quem ingressou na justiça brasileira”, alerta.
A responsável pela Abrapavaa afirma que em um ranking de países
que pagam as melhores indenizações, o Brasil ocupa a quinta posição.
“Não tem porquê ir para os Estados Unidos. Para
além de não dar certo, quando as pessoas assinaram contratos com advogados americanos tiveram que pagar honorários para o escritório brasileiro que representa o
escritório americano no Brasil. Enquanto isso, os demais com contratos e advogados brasileiros e ações no Brasil, pagam 20% de honorários”, conta
Sandra.
Reunião com parentes
A dirigente da Abrapavaaa conta que já participou de uma reunião com a
Chapecoense e no próximo dia 23 estará em Chapecó para encontrar parentes das vítimas.
“Nesta reunião, vamos tirar
dúvidas dos familiares, ajudar no que for preciso. Não faz nem três meses que a tragédia ocorreu, as famílias não estão em
condições de falar sobre isso, muito menos de assinar contratos desse tipo", acredita Sandra.