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10/05/2014 | 05:46 | Polícia

Confissão feita pela amiga da madrasta à polícia foi gravada

Polícia considera material uma prova de que Edelvânia Wirganovicz abriu mão de ter um advogado quando depôs

Polícia considera material uma prova de que Edelvânia Wirganovicz abriu mão de ter um advogado quando depôs
A defesa de Edelvânia nega que o crime tenha sido premeditado e tenta invalidar o relato dado por ela aos policiais (Foto: Arquivo Pessoal / Arqui
Um dos principais trunfos da Polícia Civil para desvendar a morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, o depoimento da assistente social Edelvânia Wirganovicz consta no inquérito com gravação e filmagem. O material comprovaria que a amiga da madrasta abriu mão de ter advogado ao ser ouvida.
Depois de Edelvânia ter confessado o planejamento e a execução do crime e ter apontado onde estava o corpo, a defesa dela questionou a validade do relato por ter sido tomado sem advogado. Por trás da estratégia de invalidar o  relato, estaria a tentativa de minimizar a responsabilidade de Edelvânia e da madrasta, Graciele Ugulini.
Basicamente, a defesa da assistente social negou que o crime tenha sido premeditado e que ela tenha participado. Teria apenas ajudado Graciele a enterrar o corpo. Na mesma linha, a madrasta também negou premeditação ao depor. Admitiu ter matado Bernardo, mas sustentou ter sido por “acidente”, por exagerar na dose ao dar remédios para acalmá-lo. Ao perceber que estava morto, teria tido ajuda da amiga para enterrá-lo.
Além de ter a gravação indicando que Edelvânia foi avisada de seus direitos, como o de ter um advogado ou ficar em silêncio, a polícia montou, a partir da confissão, um roteiro de como o crime ocorreu. Está comprovado, por exemplo, que a pá e a cavadeira usadas para fazer a cova foram compradas dois dias antes do crime.
Testemunhas reconheceram a assistente social como a pessoa que fez a compra. Na loja onde foi adquirida a soda cáustica que teria sido usada sobre o corpo, a polícia localizou um ticket de caixa indicando a venda daquele produto no mesmo horário registrado por Edelvânia no depoimento.
A soda foi comprada minutos antes das ferramentas. Edelvânia também deu à polícia o nome do remédio que Graciele teria feito Bernardo tomar, o Midazolam. A perícia confirmou a presença da medicação no corpo do garoto.
O que a assistente social revelou
Sondagem e críticas: pelo relato de Edelvânia, a madrasta Graciele Ugulini planejava há muito tempo a morte do enteado, considerado um “incômodo” na vida do casal. Teria dito, até, que o menino era “ruim, que era difícil de lidar e que brigava até com o pai”.
A proposta: após a conversa, disse Edelvânia, Graciele teria afirmado que tinha bastante dinheiro e que se a amiga a ajudasse a dar um sumiço em Bernardo lhe daria dinheiro e ajudaria a pagar o apartamento dela.
Plano traçado: Edelvânia disse que em 2 de abril Graciele teria revelado o plano: dopar o menino e aplicar uma injeção letal. Teria pedido um local para “consumir” o corpo. As duas teriam ido ao interior de Frederico Westphalen e começado a cavar com uma enxada de Edelvânia.
Compra de ferramentas: Graciele e Edelvânia teriam decidido comprar outras ferramentas, além de um produto para “diluir rápido o corpo e que não desse cheiro”. As ferramentas, uma pá e uma cavadeira, foram apreendidas na casa da mãe de Edelvânia.
Despiste ao garoto: segundo Edelvânia, Bernardo rumou para a morte depois de sair da escola acreditando que ganharia uma TV e que faria uma consulta com uma “benzedeira”.
“Piquezinho na veia”: no veículo da assistente social, Bernardo teria recebido uma dose de Midazolam e ouvido da madrasta que, antes de consultar com a benzedeira, precisava levar um “piquezinho na veia”. A injeção teria sido aplicada logo depois. Edelvânia relatou que a madrasta aplicou-a na  veia do braço esquerdo com uma seringa e “ele foi apagando”.
Ocultação do corpo: após tirar a roupa e os tênis — que  foram colocadas no lixo —, as duas teriam enterrado o menino na cova antes sem conferir se ele estava vivo (depois, a perícia comprovou que ele já estava morto).
Pagamento antecipado: Edelvânia disse que recebeu, no dia 2, R$ 6 mil de Graciele. O acerto seria R$ 20 mil, mas ela teria se disposto, depois, a pagar o que faltava para quitar o apartamento da amiga. A assistente social garantiu que só ela e Graciele sabiam do fato.
Relembre o caso
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugulini, 36 anos, para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do município.
Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini — que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital do município —, a madrasta e uma terceira pessoa, identificada como Edelvânia Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo.
Fonte: Zero Hora
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