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15/02/2017 | 14:22 | Praia Notícias | Polícia

'Não concordo', diz comandante-geral sobre manter ex-PM preso em BPM

Três policiais trabalham exclusivamente para guarda de Luís Brentano

Três policiais trabalham exclusivamente para guarda de Luís Brentano
Luís Paulo Mota Brentano foi condenado pela morte de Ricardinho (Foto: Reprodução/RBSTV)
A decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), divulgada na última semana, de que o ex-policial militar Luís Paulo Mota Brentano, condenado por matar o surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, em janeiro de 2015, deve continuar preso no 8º batalhão da Polícia Militar (BPM) de Joinville, desagradou o comandante-geral da corporação, coronel Paulo Henrique Hemm, já que três policiais ficam ocupados exclusivamente com a guarda do ex-PM.
Brentano foi condenado a 22 anos de prisão em regime inicialmente fechado em júri popular. O julgamento durou dois dias e terminou no dia 16 de dezembro de 2016. A acusação pedia pena máxima, de 34 anos, por homicídio triplamente qualificado.
"O caso não é para polêmica, decisão judicial se cumpre, mas não concordo", disse Hemm. Conforme o coronel, com a falta de efetivo da PM, retirar três agentes do policiamento de Joinville para fazer a guarda de Brentano dificulta o trabalho da guarnição no município.
Segundo Hemm, a PM tem buscado deslocar policiais dedicados a atividades internas para reforçar o policiamento e agora, esta decisão da Justiça obriga a corporação a fazer o contrário. Hemm declarou também que o tempo que Brentanto ficar preso no batalhão acabará representando um custo para a corporação.
Preso em batalhão
Três desembargadores da 4ª Câmara Criminal confirmaram a decisão expedida pelo desembargador Rodrigo Collaço no dia 21 de dezembro, que autorizava ele permanecer detido no batalhão. A liminar feita então tinha caráter monocrático, ou seja, apenas um desembargador julgou. Pelo rito processual, a decisão final é tomada por um colegiado. 
Apelação
Ainda tramita uma apelação criminal no Tribunal, que a defesa de Brentano solicitou. Nela, eles solicitam diminuir a pena contra o ex-policial. Ainda não há data para julgamento.
O advogado que representa a família de Ricardinho afirma que vai apenas entrar com recurso no momento da apelação e que acredita que não vai ter uma mudança de pena para Brentano. "A condenação é provisória. É injusto ele permanecer no batalhão se não é mais PM. Existem presídios no estado que têm capacidade de receber policiais", diz Adriano Salles Vanni.
Unidade prisional comum
A defesa conseguiu a liminar três dias após a sentença do Tribunal do Júri, em que a juíza Carolina Ranzolin determinou que o acusado saísse do quartel onde cumpre prisão preventiva para ser levado a uma unidade prisional comum, apenas separado dos demais presos por ser um ex-policial militar.
Entretanto, o desembargador Rodrigo Collaço, da 4ª câmara criminal do Tribunal de Justiça, entendeu a alegação da defesa que em 2015 já havia uma decisão na qual garantia a permanecia de Brentano no batalhão.
Condenação do Tribunal de Júri 
Brentano foi condenado por homicídio qualificado por motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi negado a ele o direito de recorrer em liberdade.
O ex-PM também foi condenado a oito meses de detenção em regime inicial semiaberto por dirigir embriagado. Além disso, foi condenado a quatro meses de suspensão de habilitação para conduzir veículo automotor.
Expulsão e prisão
Em 17 de julho de 2015, a PM decidiu pela saída de Brentano da corporação, após analisar durante seis meses o processo com 500 páginas. A defesa recorreu duas vezes, mas teve os pedidos negados. No dia 24 de agosto de 2015, se esgotou o prazo para o terceiro e último recurso em favor do policial acusado, que poderia ser impetrado apenas por um superior hierárquico do soldado, o que não aconteceu. A partir daí, começaram os procedimentos de expulsão.
Em setembro do ano passado, ele foi oficialmente expulso da Polícia Militar. Com isso, ele não teria mais direito de cumprir a prisão preventiva dentro do quartel. Mas a defesa dele conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça alegando que ele corria risco de vida se fosse transferido para um presídio, pelo fato de ser um ex-policial.
Crime
No dia 19 de janeiro de 2015, Brentano disparou dois tiros contra o surfista - um pelas costas. Os disparos atingiram vários órgãos. Ricardinho passou por quatro cirurgias, mas morreu no dia seguinte. A defesa afirmou que o ex-PM agiu em legítima defesa.
Fonte: G1
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