Logomarca Paulo Marques Notícias

09/05/2014 | 18:30 | Polícia

Índios são presos pela morte de agricultores em Faxinalzinho

Pelo menos cinco índios foram detidos, entre eles dois caciques

Pelo menos cinco índios foram detidos, entre eles dois caciques
O cacique Deoclides de Paula é um dos detidos (Foto: LUCAS CIDADE / RÁDIO UIRAPURU,Divulgação)
É delicada a situação do conflito entre indígenas e agricultores em Faxinalzinho, norte do Estado. Na tarde desta sexta-feira, índios foram presos por suspeita de terem participado do assassinato de dois irmãos agricultores no final de abril. As detenções ocorreram no Centro Cultural da cidade, no decorrer de uma reunião promovida pelo governo estadual e Fundação Nacional do Índio (Funai) para tentar estabelecer um tratado de paz entre as partes litigantes.
Na mesa de negociação, estavam o chefe de gabinete do governador Tarso Genro, Ricardo Zamora, o secretário do Desenvolvimento Rural, Elton Scapini, o representante da Funai, lideranças indígenas e agricultores, além de membros da prefeitura de Faxinalzinho. 
No meio do debate, a Polícia Federal (PF) de Passo Fundo interrompeu a reunião, apresentou os mandados judiciais e efetuou as prisões. Segundo a PF, pelo menos cinco índios foram presos temporariamente por 30 dias. Outros três estão com mandado de prisão decretado. O cacique Deoclides de Paula e o irmão dele estão entre os detidos. 
Conforme a PF, no dia do crime, os índios seguiram um grupo de agricultores em seis veículos. A investigação apontou o envolvimento de pelo menos 28 indígenas no crime. 
Por medo, prefeito saiu da cidade
O prefeito Selso Pelin abandonou a cidade com medo de perseguições.
— Se criou uma situação ridícula. O governo estadual trouxe uma comitiva para negociar a paz. Acontecer que no decorrer da reunião, a polícia prendeu o cacique Deoclides. Eu saí da cidade para não ser linchado. Os índios estão revoltados, dizem que eles estão vindo de outros lugares, armados, para destruir a cidade — afirmou.
O medo de sofrer represálias é compartilhado pelos agricultores. Ido Antonio Marcon, representante das 170 famílias envolvidas na disputa agrária em Faxinalzinho, relatou que a decisão da polícia de interromper a reunião motivou um comentário na cidade de que seria uma emboscada aos índios.
— Os agricultores não têm relação com essa ação. Não sabíamos de nada e estávamos lá para falar sobre a terra.
A reunião foi organizada pelo governo do Estado e tinha a intenção de convencer índios e agricultores a irem a Brasília no dia 22, para a criação de uma mesa de diálogo proposta pelo Ministério da Justiça.
Fonte: Zero Hora
Mais notícias sobre POLÍCIA