É delicada a situação do conflito entre indígenas
e agricultores em Faxinalzinho, norte do Estado. Na tarde desta sexta-feira, índios foram presos por suspeita de terem participado do assassinato de dois irmãos agricultores
no final de abril. As detenções ocorreram no Centro Cultural da cidade, no decorrer de uma reunião promovida pelo governo estadual e Fundação Nacional do
Índio (Funai) para tentar estabelecer um tratado de paz entre as partes litigantes.
Na mesa de negociação, estavam o chefe de gabinete do
governador Tarso Genro, Ricardo Zamora, o secretário do Desenvolvimento Rural, Elton Scapini, o representante da Funai, lideranças indígenas e agricultores, além
de membros da prefeitura de Faxinalzinho.
No meio do debate, a Polícia Federal (PF) de Passo Fundo interrompeu a reunião, apresentou os mandados
judiciais e efetuou as prisões. Segundo a PF, pelo menos cinco índios foram presos temporariamente por 30 dias. Outros três estão com mandado de prisão
decretado. O cacique Deoclides de Paula e o irmão dele estão entre os detidos.
Conforme a PF, no dia do crime, os índios seguiram um grupo de
agricultores em seis veículos. A investigação apontou o envolvimento de pelo menos 28 indígenas no crime.
Por medo, prefeito
saiu da cidade
O prefeito Selso Pelin abandonou a cidade com medo de perseguições.
— Se criou uma
situação ridícula. O governo estadual trouxe uma comitiva para negociar a paz. Acontecer que no decorrer da reunião, a polícia prendeu o cacique
Deoclides. Eu saí da cidade para não ser linchado. Os índios estão revoltados, dizem que eles estão vindo de outros lugares, armados, para destruir a
cidade — afirmou.
O medo de sofrer represálias é compartilhado pelos agricultores. Ido Antonio Marcon, representante das 170 famílias
envolvidas na disputa agrária em Faxinalzinho, relatou que a decisão da polícia de interromper a reunião motivou um comentário na cidade de que seria uma
emboscada aos índios.
— Os agricultores não têm relação com essa ação. Não sabíamos de nada e
estávamos lá para falar sobre a terra.
A reunião foi organizada pelo governo do Estado e tinha a intenção de convencer índios e
agricultores a irem a Brasília no dia 22, para a criação de uma mesa de diálogo proposta pelo Ministério da Justiça.