O
monitoramento das lavouras, a identificação correta das pragas e dos inimigos naturais, o conhecimento do estágio de desenvolvimento da planta e dos níveis de
ação são componentes essenciais para o Manejo Integrado de Pragas (MIP), e indispensáveis no redesenho do processo produtivo. Sob essa ótica, o estudo da
acadêmica Daniela Pilecco, do curso de Agronomia da SETREM, propôs identificar a população de inimigos naturais associados ao complexo de percevejos e lagartas da
soja na região Noroeste do Rio Grande do Sul, safra 2015/2016. A pesquisa compõe o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e teve caráter quantitativo, com
procedimento estatístico, coleta de dados efetuada por observação direta intensiva e observação e a análise dos dados realizada através da
média, com gráficos de frequência. O trabalho foi orientado pela docente do curso de Agronomia e doutora em Fitossanidade Cinei Teresinha Riffel.
Daniela fez o monitoramento semanal em lavouras com três diferentes formas de manejo para o controle das pragas: orgânico, preventivo ou calendarizado e MIP, através de
batidas de pano. O estudo levantou como problema quais eram os inimigos naturais associados ao complexo de percevejos e lagartas que nas diferentes sistemáticas de cultivo, podem ser
identificados na cultura da soja. Segundo ela, os resultados obtidos são de que nas áreas com sistemática de cultivo orgânica os inimigos identificados foram
aranhas, louva Deus, nabis, Metharizium rileyi, Baculovírus anticarsia, Callida spp. e percevejo parasitado de dípteros. Nas áreas de sistemática preventiva ou
calendarizada os inimigos naturais identificados foram apenas aranhas, nabis, joaninhas e lagarta com Baculovírus anticarsia e nas áreas de MIP foram aranhas, louva Deus,
nabis, tesourinhas, e lagarta com Metharizium rileyi, sendo que nas áreas de sistemática orgânica e MIP a população de inimigos naturais foi bem superior
à da área de sistemática preventiva.
A acadêmica alerta que monitorar as áreas, a fim de quantificar e identificar o nível de
controle dos insetos praga é fundamental nos sistemas de produção, pois além de trazer benefícios da ordem econômica, como foi comprovado no estudo
através do MIP, diminui a quantidade de aplicações de agrotóxicos reduzindo assim a contaminação ambiental. “A aplicação de
inseticida no momento correto, apenas quando os insetos praga atingirem o nível de controle, dando preferência para inseticidas fisiológicos e quando necessário
utilizar inseticidas de amplo espectro rotacionando os grupos químicos, pode contribuir para um manejo mais eficiente e sustentável”, observa. Além disso,
conforme ela, pode-se concluir que com a utilização de estratégias de controle de insetos pragas com o manejo orgânico ou com o uso de inseticidas
fisiológicos ocasiona uma preservação do controle biológico (inimigos naturais), os quais permaneceram durante todo o ciclo da cultura nestas áreas onde
não se utilizou inseticidas de contato e ingestão de amplo espectro.
Inimigos naturais
Ela destaca que a estratégia que se
comprovou eficiente no controle de percevejos foi o monitoramento das áreas na bordadura, identificando os insetos que estão entrando nas áreas, e o controle dos mesmos
apenas nas bordas, conforme foi realizado nas áreas de MIP, sendo que essa estratégia ocasionou a redução do uso de inseticidas, o qual foi aplicado apenas nas
bordaduras das áreas e foi eficiente, pois não se atingiu o nível de controle de percevejos nestas áreas. Daniela chegou à conclusão que o uso do
MIP, aliado ao uso de inseticidas fisiológicos e controle de percevejos na bordadura são ferramentas eficientes e indispensáveis nos cultivos agrícolas, pois
diminuem os custos de produção e a quantidade de inseticidas utilizados por área, sem riscos a produtividade da soja, além de preservar a população
de inimigos naturais existentes nas áreas.
A realização de pesquisas na área do controle biológico de pragas da cultura da soja,
principalmente identificação dos inimigos naturais associados ao complexo de lagartas e percevejos carece de pesquisas, visto que não se tem informações
sobre quais os inimigos naturais mais presentes na cultura da soja na região Noroeste do Rio Grande do Sul. Além destes fatores, necessita-se quantificar os inimigos naturais,
a fim de identificar os que possuem maior adaptabilidade, para que no futuro essas informações possam ser utilizadas e agregadas ao manejo integrado de pragas na
região. O trabalho se justifica pela falta de pesquisa existente na área do controle biológico (tanto natural como aplicado) e de dados referente às
condições de manejo e adaptação das diversas espécies de inimigos naturais às condições edafoclimáticas da região
noroeste do Rio Grande do Sul.