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07/05/2014 | 18:53 | Polícia

Inquérito apontará contradições para incriminar Leandro Boldrini

Zero Hora teve acesso ao inquérito do Caso Bernardo e mostra qual a linha de investigação da Policia Civil em relação ao pai do garoto

Zero Hora teve acesso ao inquérito do Caso Bernardo e mostra qual a linha de investigação da Policia Civil em relação ao pai do garoto
Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen enterrado às margens de um rio (Foto: Repr
VEJA QUAIS SÃO AS SUPOSTAS CONTRADIÇÕES
Pai presente
"Restou mais que provado que Leandro era um pai omisso, que nunca ligava ou averiguava onde o menino estava"
Quando procurou a Polícia Civil para comunicar o desaparecimento de Bernardo, em 7 de abril, Leandro Boldrini disse que era a primeira vez que o menino saía de casa e não retornava no dia certo. No entanto, com base nos depoimentos que compõem o inquérito, a Polícia concluiu que:                                                                                                                                         "Restou mais que provado que Leandro era um pai omisso, que nunca ligava ou averiguava onde o menino estava, e não se importava se ele passasse dois, três, cinco, dez ou 15 dias fora de casa".                                                                                                                                                                           Segundo Leandro, em 4 de abril, quando o garoto foi visto pela última vez, estaria indo dormir na casa de um amigo, a duas quadras de distância da residência do médico. Bernardo voltaria no domingo, de acordo com o que Leandro afirmara a Polícia. No mesmo dia, o menino foi levado pela madrasta, Graciele Ugulini, e pela assistente social Edelvânia Wirganovicz a Frederico Westphalen, cidade localizada a 80 quilômetros de Três Passos, onde foi assassinado com uma injeção letal. A armadilha usada pelas duas foi a compra de uma TV em promoção, como admitiu Edelvânia à polícia.
Pai preocupado
Em depoimento no dia 10 de abril, quatro dias antes do corpo de Bernardo ser encontrado enterrado em uma cova às margens de um rio em Frederico Westphalen, Leandro Boldrini disse à polícia que tentou contato telefônico com o filho diversas vezes desde sábado — 5 de abril, um dia após o sumiço do garoto —, mas não conseguiu. Ele alegou que o menino não tinha o costume de deixar o celular desligado. Além disso, o médico enviou uma mensagem para a dentista do filho, no domingo (6 de abril), sendo que jamais teria se preocupado com o assunto antes.                                                                                                                       "Leandro afirmou que ligou para Bernardo sexta-feira (4), sábado (5) e domingo (6), a fim de saber onde o menino estava. Ocorre que ele nunca fez isso, nunca se preocupou com o filho. Leandro Boldrini disse para Lori e para Simone que Bernardo havia deixado o telefone em casa. Por que, então, passou o final de semana todo ligando para o celular do menino? Este fato foi confirmado pelo extrato das ligações telefônicas, o que nos causou estranheza. (...) Leandro não se preocupava com os problemas ortodônticos do filho, tendo pedido à dentista que colocasse algo que ele pudesse se virar sozinho, sem a ajuda dele e de Keli. Ainda, Leandro estranhamente mandou uma mensagem, no domingo, mostrando uma preocupação sabidamente inexistente", questiona o inquérito.
Lar feliz
"Bernardo era chamado de demônio pela madrasta"
Quando foram interrogados pela Polícia Civil, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini falaram aos agentes que não havia conflitos entre eles e Bernardo, mas diversos relatos de moradores de Três Passos mostraram que a realidade era outra e que era comum o menino procurar outras famílias para ser acolhido. Uma ex-babá dele chegou a relatar uma tentativa de asfixia feita pela madrasta, em 2012, que foi denunciada ao Ministério Público. Em 16 de abril, dois dias após o corpo do garoto ser encontrado, Boldrini admitiu que Keli, como era conhecida a madrasta de Bernardo, odiava o menino:"                                                                                                                                                                                 O interrogado diz que ela tinha ódio do 'guri', e esclareceu que esse ódio se manifestava nos 'arranca' que dava entre os dois, eis que o Bernardo não aceitava 'não'. Que Keli, enquanto estava sozinha com o interrogado, se referia ao Bernardo dizendo que 'ele era uma semente do mal'. Perguntado se o Conselho Tutelar ou a Brigada Militar estiveram na sua casa, respondeu que o Conselho Tutelar esteve no seu consultório por duas ocasiões. E na metade do ano passado a BM esteve na sua residência por volta de 20h, 21h, eis que o Bernardo tinha ido até a janela da frente da casa e gritado por várias vezes por socorro. Na ocasião, o interrogado havia repreendido mais rispidamente, inclusive fazendo uso de um chinelo e batido na bunda de Bernardo. (...) Bernardo era chamado de demônio pela Keli. Ela declarava a todos que o menino era um estorvo para a vida deles. (...) Coleguinhas de aula do Bernardo relataram que ele tinha um código de convivência com Keli, qual seja, de não se falarem", detalha o inquérito, que conclui: "Leandro e Keli afirmaram que não havia desentendimentos deles com o menino Bernardo, contrariando muitos depoimentos de testemunhas, que acompanhavam a situação do menor."
Semana tranquila antes da morte
Em seu depoimento, Leandro afirmou que nos dias anteriores à morte de Bernardo, nada de errado aconteceu na casa. Segundo ele, o clima na família era bom. A compra da TV, em Frederico Westphalen, e de um aquário — desejo do garoto —, eram as provas disso. O médico relatou que estava otimista com uma mudança de relacionamento entre o filho e a madrasta.                                                                                                           "Leandro disse que a semana anterior ao desaparecimento do Bernardo foi tranquila, sem desentendimento. Ocorre que Bernardo, ao que parece, nunca teve uma semana tranquila em sua vida", contrapõe o inquérito.
Fonte: Zero Hora
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