Uma família que mora em Joinville, no Norte de Santa Catarina, tenta trazer para o Brasil o corpo de Guilherme de Menezes
Garcia, de 26 anos, que morreu nos Estados Unidos. O brasileiro morava em Fort Lauderdale, na Flórida, e foi encontrado morto na quinta-feira (12), por volta das 11h (14h,
horário de Brasília) pelo sócio, com quem dividia a casa.
Até o início da tarde desta segunda-feira (16), a família
desconhecia as causas da morte. O Itamaraty informou que o caso está sendo acompanhado, mas que não está previsto auxílio financeiro para o traslado. A
família afirma não ter condições de pagar pelo serviço.
“Ele não estava doente. Entramos em contato com o consulado
brasileiro, que disse só poder informar familiares pessoalmente. Tudo que sabemos sobre a morte foi passado por amigos que moram lá”, contou a irmã,
Fernanda.
A morte ocorreu exatamente um ano após os dois filhos de Guilherme, que foram retirados do convívio dele pela Justiça americana, terem
sido adotados oficialmente por outra família nos Estados Unidos.
O rapaz foi para os Estados Unidos aos 15 anos, na companhia da mãe. Natural
de Porto Alegre, morou com a família em Chapecó, no Oeste catarinense, e em Florianópolis.
Atualmente, tinha uma empresa do ramo da
construção civil com um amigo.
Traslado
Conforme Fernanda, o traslado do corpo custa R$ 20 mil. Como os
familiares não têm condições de arcar com este valor, foi criada uma campanha na internet para angariar fundos.
Desde a semana passada, o
corpo permanece no Instituto Médico Legal americano, segundo a família.
Perda dos filhos
Conforme Fernanda,
Guilherme morreu exatamente um ano após a adoção definitiva dos dois filhos dele.
“Meu irmão teve um filho de 3 e outro de 5 anos,
que foram tirados dele, porque a mãe, usuária de drogas, maltratava as crianças. Por um ano, elas ficaram provisoriamente com uma família, e em 12 de janeiro de
2016, foram adotadas definitivamente”, contou.
A mãe de Guilherme disse à RBS TV que suspeita que a morte tenha relação com a perda das
crianças, já que nos últimos anos ele chegou a se envolver com drogas. “Eu sei que foi muita coincidência, justamente no mesmo dia", disse Carla
Menezes.
Segundo Fernanda, por se tratarem de crianças americanas, a família de Guilherme não pode reivindicar a guarda. “Além
disso, a mãe não queria que viessem para o Brasil, então não tivemos como lutar pelos meninos. Agora, não podemos acessar nenhuma informação
sobre eles, porque tudo é mantido pela Justiça sob sigilo”, lamentou.
A mãe de Guilherme disse que não via o filho há oito
anos. “Eu estou proibida de entrar lá [nos Estados Unidos], porque eu passei três meses do visto. Minhas filhas não o veem há 10 anos. Então, a gente
queria muito dar um último adeus. É isso que a gente está pedindo, que as pessoas se comovam para que eu possa ver meu filho pela última vez”, disse a
mãe, Carla.
Itamaraty
À RBS TV, o Itamaraty informou que o consulado do Brasil em Miami está acompanhando o
caso e mantém contato com a família de Guilherme para auxiliar na burocracia da liberação do corpo. Sobre os custos do traslado, o Itamaraty informou que
não existe previsão orçamentária ou legal para transporte de corpos de brasileiros que morreram no exterior.