O adolescente de 17 anos apreendido nesta segunda-
feira (9) por suspeita de ter dado o tiro que causou a morte da turista gaúcha Daniela de Oliveira Soares em Florianópolis na madrugada do dia 1º de janeiro afirmou a
polícia que o disparo foi acidental. A polícia, porém, acredita que o disparo foi proposital, como mostrou o Jornal do Almoço.
“Fora
essa questão de a arma ter disparado [sozinha], a versão dele é verossímel, com ele assumindo a autoria”, disse o delegado Eduardo Mattos. O adolescente,
que tem mais de dez passagens pela polícia, se apresentou à Central de Plantão Policial do Norte da Ilha na noite de segunda-feira (9).
Ainda
à Polícia Civil, o suspeito disse estava com uma pistola 9 mm, de uso restrito das Forças Armadas. O adolescente ainda disse ao delegado que não faz parte de
grupo criminoso e que outros dois jovens estavam com ele no momento do assassinato.
Os outros dois adolescentes já foram identificados. “A gente vai ouvi-
los para saber se eles contribuíram ou não para o crime”, disse Mattos.
À RBS TV, o advogado do adolescente não quis dar nenhuma
declaração a respeito do depoimento. Ele informou que não iria dar detalhes para não atrapalhar as investigações e manter o sigilo do
inquérito.
O garoto tem passagens pela polícia por envolvimento com o tráfico de drogas, porte ilegal de munição e arma de fogo,
além de desacato, segundo a Polícia Civil.
Crime
Daniela foi alvejada depois que o carro onde ela estava
entrar por engano na comunidade Papaquara, no Norte da Ilha, ao seguir indicações do GPS. A família de Daniela havia se mudado há menos de uma semana para Santa
Catarina para fugir da violência no Rio Grande do Sul.
Conforme a Polícia Militar, o marido da vítima, Felipe Augusto Soares, relatou que ela chegou a
comentar que viu dois homens com bebidas nas mãos e um com uma pistola em punho. Ao dar a volta na Tucson que dirigia, Felipe ouviu o estampido de um tiro e Daniela caiu sobre o colo
dele.
A vítima estava no banco do carona e foi atingida por um tiro na cabeça. O tenente-coronel Sinval da Silveira Júnior declarou que,
embora tenha vários pontos considerados tranquilos, a comunidade do Papaquara é formada por "bolsões de vulnerabilidade social, dominados pelo
tráfico".
Planos
Daniela havia se casado há nove meses e, segundo a família, planejava ter
filhos ainda este ano. "Levei quase 40 anos para encontrar essa pessoa. Ela era irretocável, eu não mudaria nada", declarou o marido.