Faleceu nesta segunda-feira (9) o sociólogo Zygmunt Bauman, aos 91 anos, em Leeds, cidade inglesa onde morava, desde 1971. Quem deu a
informação foi o jornal polonês Gazeta Wyborcza.
O pensador foi responsável por cunhar o conceito de “modernidade líquida”,
usada para definir as condições da "pós-modernidade" — que ele considerava um termo ideológico — e discutir as
transformações do mundo moderno nos últimos tempos
Bauman escolhe o “líquido” como metáfora para ilustrar o estado
dessas mudanças: facilmente adaptáveis, fáceis de serem moldadas e capazes de manter suas propriedades originais. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham
pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais.
Além da modernidade no geral, suas mais de 50 obras e diversos artigos se dedicam a temas como o consumismo, a globalização e as
transformações nas relações humanas. Em um de seus best-sellers, Amor Líquido, de 2003, ele discute como os relacionamentos de hoje em dia tendem a ser
menos frequentes de duradouros.
Nascido em Poznan, no oeste polonês, em 1925, Bauman serviu na Segunda Guerra Mundial, e, em seguida, fez parte do
Partido Comunista Polaco. Anos mais tarde, formou-se em sociologia. Como professor na Universidade de Varsóvia, teve algumas de suas publicações censuradas e acabou
afastado em 1968.
Após sofrer perseguições antissemitas na Polônia, partiu para a Inglaterra e trabalhou, onde trabalhou como professor
titular da Universidade de Leeds. De todas as suas contribuições, a obra Modernidade e Holocausto talvez tenha sido a mais emblemática e lhe rendeu, em 1989, o
Prêmio Europeu Amalfi de Sociologia e Ciências Sociais.
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