Neste domingo faz uma semana que a turista gaúcha Daniela de Oliveira Soares, 38 anos, foi assassinada
com um tiro na cabeça. O suposto autor do disparo é um adolescente de 17 anos, ainda não apresentado à Justiça e que teria atirado a esmo no carro onde
estava a professora de ioga, o marido, os pais dela e uma criança de sete anos. A morte de Daniela abriu uma semana marcada por notícias de mortes violentas, como os massacres
dos presídios de Manaus e de Roraima.
Em todas as situações, assim como na comunidade do Papaquara, uma situação em comum: a
ação tráfico de drogas. A federalização do controle do tráfico no país e a inclusão de Santa Catarina no mapa não são
novidades. O que há 15, 20 anos era centrado no Rio de Janeiro, com o Comando Vermelho, mudou faz tempo. São Paulo, que inicialmente tinha o negócio controlado pela
facção carioca, viu crescer o Primeiro Comando da Capital (o PCC). A partir daí, de olho em novos mercados consumidores o tráfico se espalhou por todas as
regiões. Transformou-se em uma situação de segurança nacional. E essa regionalização tem suas características. Algumas bem
assustadoras.
Na mão de jovens ainda mais perigoso
Em Florianópolis, por exemplo, há uma
situação que torna essa atividade criminosa ainda mais perigosa: o comando, em via de regra, está nas mãos de jovens. Isso porque os chamados
"patrões" - aqueles traficantes mais velhos que por terem nascido e crescido nas comunidades mantinham certos laços - morreram ou foram assassinados. Há,
claro, alguns presos. Um ou outro um pouco mais velho continua aí explorando uma clientela bastante diversificada, que vai do carcomido morador de rua alucinado em busca da pedra do
crack à moçada bem vestida que frequenta as altas baladas.
Os demais - e especialmente os que se expõem - são ainda muito jovens.
Cooptados praticamente crianças ou adolescentes, se comportam como tal: atrevidos, irresponsáveis, destemidos. Gostam de demonstrar poder, e do poder. Assim como aparecer para
os amigos, e ostentar um suposto respeito nas comunidades. Tornam-se inconsequentes. Banalizam a vida e a morte. Ainda não dá para cravar que foram exatamente essas
circunstâncias que levaram ao assassinato da professora de ioga no primeiro dia de 2017. Mas é certo dizer que poder público e sociedade precisam combater o recrutamento
dessa força infantojuvenil pelo crime. Sob pena de continuarmos vendo armas sendo transformadas em brinquedos nas mãos desses adolescentes.
Nem
uma coisa nem outra
Da mesma forma que não foi fatalidade, como disse o secretário de Segurança Pública César Grubba, o
assassinato da turista gaúcha vítima de um tiro na cabeça em uma área chamada de risco pela polícia; não foi um acidente horroroso, como disse
Michel Temer, o massacre de 56 detentos em um presídio de Manaus.
*Ângela Bastos é interina da coluna de Rafael Martini. O colunista retorna
de férias no dia 23 de janeiro.