O ex-policial militar Luís Paulo Mota Brentano, acusado de matar o surfista Ricardo dos Santos, o
Ricardinho, em janeiro de 2015 vai a júri popular a partir das 9h desta quinta-feira (15) em Palhoça, na Grande Florianópolis, cidade onde ocorreu o crime. A
expectativa da Justiça é que o resultado do julgamento saia na sexta (16), como mostrou o Jornal do Almoço.
O G1 entrou em contato com o
escritório de advocacia da defesa de Brentano, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.
O crime aconteceu
depois de uma discussão na Guarda do Embaú, em Palhoça, na Grande Florianópolis, no dia 19 de janeiro de 2015. Brentano disparou dois tiros contra o surfista -
um pelas costas. Os disparos atingiram vários órgãos. Ricardinho passou por quatro cirurgias, mas morreu no dia seguinte. O ex-policial alegou legítima
defesa.
Comoção na Guarda do Embaú
Para quem mora na Guarda do Embaú, a notícia do
julgamento traz à memória o caso que chocou o lugar. Para a família, há um certo alívio.
A mãe de Ricardinho, Luciane dos
Santos, estava ansiosa pelo julgamento. "Estou querendo logo que venha, para de fato dar um basta nisso tudo. É uma expectativa que a gente cria, que é grande, durante
todo esse tempo e agora finalmente está chegando ao final".
"Vão estar todos presentes. Nós vamos relembrar tudo o que aconteceu, vai
vir tudo à tona. Então, isso é uma coisa que, queira ou não queira, acaba doendo muito. É como se tivesse vivendo tudo de novo", disse a
mãe.
Prisão em batalhão
Desde que foi preso em flagrante, Brentano está detido no 8º
Batalhão da Polícia Militar em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Ele foi expulso da PM no ano passado e, portanto, não teria mais direito de cumprir a
prisão dentro do quartel. Mas a defesa dele conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça alegando que ele corria risco de vida se fosse transferido para um
presídio, pelo fato de ser um ex-policial.
Em julho, a RBS TV teve acesso a um documento oficial do batalhão da PM que revela as condições
da prisão. No documento, fica claro que o ex-soldado não está em uma cela. Ele está preso em um quarto dentro de uma residência que fica no
batalhão. Antigamente, a casa era usada pelo setor de inteligência da PM.
"Se quer que ele cumpra, que ele tenha realmente uma cela
específica para ele, uma cela especial, seja com outros policiais eventualmente condenados. Mas que exista uma cela específica para ele com proteção. Mas que
isso seja administrado pelo Deap [Departamento de Administração Prisional], porque a Polícia Militar não tem essa função de administrar cumprimento
de pena", disse o promotor de Justiça Alexandre Carrinho Luiz.