O defensor de Edelvânia Wirganovicz, acusada de
participação na morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, afirmou que o depoimento da madrasta do garoto, Graciele Ugulini, isentou sua cliente de culpa no assassinato.
Segundo o advogado Demétrius Eugênio Grapiglia, depois da morte do menino, que teria sido acidental, Graciele teria pressionado Edelvânia a ajudá-la na
ocultação do corpo.
— Ela (Graciele) ratificou que a minha cliente, Edelvânia, participou tão e somente da ocultação de
cadáver. O depoimento da Graciele é extremamente esclarecedor.
Segundo Grapiglia, Graciele afirmou no depoimento que a morte teria sido acidental. Conforme
o relato, as duas amigas foram com Bernardo a Frederico Westphalen para um compromisso de Graciele e também para a compra de uma TV. Como o garoto era "muito ativo", teria
justificado Graciele à polícia, ela teria lhe dado remédio — a morte teria sido causada em razão de uma superdosagem do produto.
Ainda
de acordo com o defensor, Graciele afirmou que, inicialmente, as duas pensaram em ir à polícia. Mas, temendo que pudessem acabar detidas, desistiram. A madrasta, então,
teria pressionado a Edelvânia a ajudá-la a ocultar o corpo.
Por fim, o advogado pediu à polícia que divulgue o inteiro teor do
depoimento:
— Desafio a autoridade policial a apresentá-lo. A população inteira do Brasil está querendo saber o que aconteceu,
a verdade real dos fatos. Gostaria que a autoridade apresentasse o depoimento à população e verificasse se neste depoimento existe alguma palavra que não seja
exatamente a versão que a Edelvânia vem dizendo desde o início.
Relembre o caso
Bernardo Uglione Boldrini, 11
anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos,
ele teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugulini, 32 anos, para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o
menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio
local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, dia 14, o
corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco,
interior do município.
Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi
velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini — que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no
hospital do município —, a madrasta e uma terceira pessoa, identificada como Edelvania Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo.