O grupo criminoso investigado na
operação Castelo de Cartas tinha contato com políticos do Sul de Santa Catarina, disse a Polícia Civil em entrevista nesta sexta-feira (9). Foram presas seis
pessoas e cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. A operação investiga o jogo do bicho há um ano.
"A investigação
teve início com uma denúncia anônima relatando fatos de que a contravenção penal do jogo do bicho estaria ocorrendo livremente na cidade de
Araranguá com, no mínimo, a omissão de agentes públicos", disse o delegado Rodrigo Schneider.
Na coletiva, os policiais afirmaram
que os infratores tentavam pressionar políticos da região. "Esses integrantes da organização criminosa faziam contatos políticos para que o delegado
que atuava na coibição do jogo do bicho naquela cidade [Araranguá] fosse afastado", explicou o delegado Márcio Gai. Segundo ele, o afastamento não
chegou a ocorrer.
Bens devem superar R$ 1 milhão
Também foram divulgadas informações sobre o
crime de lavagem de dinheiro e a organização dos criminosos. "Havia uma ocultação de bens. O bicheiro de Araranguá ocultava bens, o que deixava claro
o crime de lavagem de dinheiro. Aí vimos que havia uma grande integração com bicheiros de Criciúma e também com bicheiros de Tubarão. Até
uma espécie de hierarquia, principalmente com o bicheiro da cidade de Tubarão. Com vários núcleos que trabalhavam respeitando os pontos, combinando
horários de funcionamento, formas de pagamento", detalhou o delegado Schneider.
Pelos cálculos da polícia, os bens obtidos com lavagem de
dinheiro do jogo do bicho devem superar R$ 1 milhão.
Todos os 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Cerca de R$ 100 mil em espécie foram
apreendidos durante a operação.
Dos nove mandados de prisão, seis foram cumpridos. Quatro dos cinco mandados de condução
coercitiva foram cumpridos. Conforme a Polícia Civil, os mandados foram executados nos municípios de Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário
Rincão, Tubarão, Criciúma e Gravatal.