O presidente da Associação dos Policiais Militares do
Rio Grande do Sul (APM/RS), soldado Dalvani Albarello, lotado no 24º BPM, em Alvorada, está jurado de morte. No início da tarde desta quarta-feira, o policial militar
abandonou a cidade, onde reside, na companhia da mulher e das filhas.
As ameaças partiram de líderes da facção criminosa V7, que embora
sendo oriunda da rua Madre Brígida, vila Cruzeiro, tendo como aliada as facções dos bairros Jardim Ipê e Vila Jardim, em Porto Alegre, formando o grupo conhecido
como Anti-Bala, dominou os bairros Stella Maris e Jardim Aparecida, em Alvorada, na região Metropolitana. Esta facção é conhecida por extrema violência,
sendo apontada como responsável por chacinas e esquartejamentos ocorridos recentemente em Alvorada.
Os integrantes da V7 costumam deixar a sigla tatuada no corpo
das vítimas, com emprego de facas. A ordem foi dada por meio de um grupo formado por delinquentes da cidade, via WhatsApp Messenger. Na mensagem, o líder da V7 oferece R$ 10
mil para quem executar o soldado.
A ordem teria partido de uma traficante que está recolhido Presídio Central, e de sua aliada, que está foragida
e é apontada como mandante de execuções. No último final de semana, partiu deles a ordem para degolar um dissidente da facção que, em meados de
2016, fora preso por Albarello.
“Tão logo tomei conhecimento, decidi retirar minha família da cidade e também sair de Alvorada”,
relata. “A inversão de valores está grande, os caçadores estão virando caça dos criminosos”, desabafa. Os colegas do soldado acreditam que o
excelente trabalho desenvolvido por Albarello tenha motivado a retaliação da facção criminosa.
“Colocar um prêmio para a
execução de um soldado é vergonhoso e extremamente preocupante”, afirma um colega de Albarello, que pediu para não ser identificado temendo
represálias. Segundo ele, nos últimos meses Albarello teve atuação de destaque na cidade, com inúmeras prisões e desarticulações de
quadrilhas especializadas em tráfico de entorpecentes, furto e roubo de veículos, entre outros delitos.
Em agosto de 2010, quando servia no 1º
BPM, em Porto Alegre, Albarello foi ameaçado de morte pelo autor de um funk intitulado “Revolta na Favela”. Na música, o funkeiro chama o soldado de
“Amarelo”, apelido pelo qual o policial é conhecido na vila Cruzeiro do Sul, no bairro Cristal. Na ocasião, uma denúncia anônima levou a Brigada
Militar a descobrir o funk. O autor da letra era um adolescente.
Na ocasião, o então major Jairo de Oliveira Martins, que comandava o soldado, afirmou
que Albarello era protagonista do funk “por ter efetuado prisões que abalaram o crime organizado em torno do tráfico na região”. Na época, a
descoberta do funk levou a Brigada Militar a deflagrar uma operação, com apoio do 1º Batalhão de Operações Especiais (1º BOE) e do
Batalhão de Aviação na vila Cruzeiro do Sul. O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira, informou que desconhecia a situação.
“Isso nos preocupa e já demos ordem para o comandante do CPM, coronel Altemir Silva de Lima, para que se inteire dos fatos e adote medidas de apoio ao soldado”