Enquanto a Brigada Militar enfrenta falta de efetivo nas ruas, o número de PMs desviados do
policiamento para atuar em gabinetes de outros órgãos públicos cresceu 20% no Rio Grande do Sul. O levantamento foi obtido pelo RBS Notícias, da RBS TV, por meio
da Lei de Acesso à Informação.
Em setembro do ano passado eram 420 PMs em gabinetes, e agora são 502. A maioria atua na área de
segurança no monitoramento de câmeras e do telefone 190. Também há policiais na Casa Militar do Palácio Piratini, sede do governo.
Existem 37 policiais servindo entidades de classe, 37 no Ministério Público, 23 no Tribunal de Justiça, nove na Assembleia Legislativa e sete no Tribunal de
Contas.
Os dados mostram ainda que tem PM cedido para o Instituto de Previdência do estado e até aos governos de Goiás e Rondônia.
Geralmente, quem atua em gabinetes de autpridades ganha mais que um policial que enfrenta bandidos nas ruas.
Um tenente-coronel cedido há 23 anos para o Tribunal
de Contas, por exemplo, recebe da Brigada Militar, bruto, quase R$ 22 mil, e quase R$ 12 mil do Tribunal, um total de R$ 34 mil, pouco mais que o teto.
A
Constituição Federal estabelece que o maior vencimento mensal pago a um servidor público não pode ultrapassar o que recebe um ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), que hoje fica em R$ 33.763.
O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer, diz que vence no dia 9 de
dezembro o prazo para que parte desses policiais, incluindo o tenente-coronel citado, retornem para a BM. A medida faz parte do pacote anunciado pelo governo para conter a crise.
Conforme decreto, policiais cedidos há mais de 10 anos terão de retornar às ruas. Sendo cumprido, serão 83 PMs.
"Não teremos mais brigadianos cedidos para qualquer orgão do poder Executivo, exceto a Casa Militar, a Secretaria de Segurança, a Secretaria da Justiça, que
tem um programa de apoio a testemunhas e também ao Detran. Fora isso, não tera mais nenhum brigadiano cedido", comenta.