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26/04/2014 | 19:44 | Polícia

Justiça concede à tia a guarda provisória da irmã de Bernardo

Juiz atendeu pedido do advogado da madrasta do menino morto no RS

Juiz atendeu pedido do advogado da madrasta do menino morto no RS
Menina de um ano ficará com a tia após prisão de casal por suspeita de participar da morte de Bernardo (Foto: Reprodução/Facebook)
A Justiça do Rio Grande do Sul determinou neste sábado (26) que a filha do médico Leandro Boldrini e da enfermeira Graciele Ugulini, presos por suspeita de participação na morte do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, fique com uma tia. A guarda provisória da criança de um ano e cinco meses foi concedida a uma irmã de Graciele.
Bernardo foi encontrado morto no dia 14 enterrado em um matagal em Frederico Westphalen, no Noroeste do estado, a cerca de 80 km de Três Passos, onde morava com a família. Ele estava desaparecido desde 4 de abril. Além de Leandro, pai do menino, e Graciele, a madrasta, a assistente social Edelvania Wirganovicz, amiga da mulher, também está presa por suspeita de envolvimento no crime.
Na sexta-feira (25), a Comarca de Três Passos havia retirado de Leandro e Graciele o poder familiar sobre a filha. A decisão deste sábado (26) tem caráter liminar e foi emitida pela Comarca de Santo Augusto, onde vive a irmã de Graciele, Simone Ugulini.
Segundo o advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, que defende a enfermeira na investigação sobre a morte de Bernardo, a criança já estava com a mulher. “A irmã da Graciele também é enfermeira e é madrinha do bebê. Além disso, ela tem um filho de cinco anos, o que facilita a interação com a criança”, explicou.
O Ministério Público diz que a liminar deste sábado não gera conflito e não vai recorrer da decisão. "O que queríamos era regularizar a situação dessa criança. Soubemos que a família trocava (a criança) de uma casa para outra e isso criava uma situação de risco”, ressaltou a promotora Dinamárcia Maciel, responsável pelo caso.
A promotora destacou que o objetivo da ação do MP ao tirar a guarda dos pais biológicos era obter uma posição do Judiciário que apontasse uma pessoa responsável pelo bebê. “Soubemos que o bebê trocou de casa três vezes. Isso nos preocupou. Com esta decisão (que concede a guarda à irmã de Graciele) nos damos por satisfeitos. Não vamos recorrer”.
Bloqueio de bens
Outra decisão judicial, que acolheu um pedido do MP, decretou o bloqueio total dos bens do médico Leandro Boldrini. Segundo o juiz Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial de Três Passos, a determinação é necessária até que seja esclarecido qual patrimônio pertencia a Bernardo, após a morte da mãe dele, Odilaine Uglione Boldrini. A mulher, segundo a polícia, cometeu suicídio em 2010.
Na decisão, o juiz ressaltou que há um processo de inventário com tramitação regular, no qual um imóvel foi arrolado. De acordo com o Tribunal de Justiça, o mesmo imóvel já foi vendido, mas os valores foram utilizados na aquisição da casa onde a família residia até a morte de Bernardo. Com isso, o garoto teria direitos hereditários da parte que pertencia à mãe e que não foi objeto de inventário até o momento.
O MP ressaltou que o pedido de indisponibilidade dos bens foi tomado para impedir que o médico possa a vir a se desfazer do patrimônio do filho para custear sua defesa. "Além disso, se o pai, hoje suspeito, se tornar réu, por homicídio, ele pode ser considerado indigno para se tornar herdeiro do filho", explicou a promotora Dinamárcia Maciel.
De acordo com o advogado Marlon Taborda, que representa a avó materna do menino, caso a Justiça venha a declarar que o pai de Bernardo não tem direito à herança, ela seria dividida entre avós paternos e a avó materna. De acordo com o Código Civil, a ascendência em linha reta prevalece sobre a colateral, explica o advogado.
Entenda
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
"O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada", relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do CRBM. A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.
O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. Na segunda-feira (14), o corpo do garoto foi localizado. De acordo com a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação, o menino foi morto por uma injeção letal, o que ainda precisa ser confirmado por perícia. A delegada diz que a polícia tem certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino, mas resta esclarecer como se deu a participação de cada um.
Fonte: G1
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