O prefeito de Caçador, Gilberto Amaro Comazzetto (PMDB) foi preso pela
Polícia Civil nesta terça-feira por posse ilegal de arma de fogo. Agentes cumpriam um mandado de busca e apreensão na casa dele durante uma investigação
de emprego irregular de verba pública e associação criminosa quando encontraram duas espingardas calibre 12, uma espingarda calibre 20 e um revólver calibre 32
sem registro. O secretário da Fazenda do município, Gilberto Nicolao Haudsch, também foi preso por porte ilegal de arma sem registro encontrada em sua casa.
A operação da Polícia Civil investiga crimes no âmbito do programa municipal Asfalto Para Todos. O programa estabelece a realização
de obras de asfaltamento mediante o pagamento de uma caução de 50% do valor por parte dos moradores. Estes recursos deveriam ser depositados em um fundo especial destinado
somente a obras de pavimentação.
A investigação constatou que o dinheiro pago pelos contribuintes estava sendo depositado na "conta
pagadora" do município, destinada ao pagamento de empenhos em geral, desvinculando a receita ao programa Asfalto Para Todos. Indícios sugerem que esses recursos foram
utilizados para o fechamento do caixa de final de ano da prefeitura.
Constatou-se também que a pavimentação de 16 ruas abrangidas pelo programa teve
início sem que houvesse o pagamento da caução de 50%, exigido por lei. Por outro lado, em pelo menos três ruas onde a caução já havia
atingido os 50%, as obras não tiveram início.
— A investigação teve início a partir de informações da mídia
local, dos relatos de alguns vereadores sobre a existência de irregularidades. Instauramos o inquérito, chamamos os vereadores e testemunhas e confirmamos irregularidades
— disse o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Caçador, Eduardo Matos.
Diante dos indícios, a Polícia
Civil solicitou e cumpriu mandados de de busca e apreensão na sede da prefeitura de Caçador, nas casas do prefeito Comazzetto, do secretário Haudsch, do
secretário da Administração, Jovani Scremin e do Coordenador do Programa Asfalto para Todos, Carlos Alberto Pegoraro. Além disso, representou-se pela quebra de
sigilo das contas bancárias onde os valores oriundos dos depósitos dos contribuintes estão depositados. O delegado solicitou o afastamento dos suspeitos dos cargos
públicos, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça.