A partir deste
domingo (16) até 19 de fevereiro, os moradores do Rio Grande do Sul e de outros nove estados do país vão precisar adiantar seus relógios para o horário de
verão. Mas algumas famílias, que vivem na Serra e trabalham na agricultura, optam por não realizar a mudança.
Na casa da família
Calza, no interior do município de Cotiporã, os relógios nunca foram adiantados neste período do ano. "Para as pessoas da cidade grande é bom, mas
para os agricultores essa troca de horário gera um desgaste e tanto", explica a agricultora Maria Conte Calza.
Para Maria, que trabalha na horta e na
lavoura entre o final da manhã e o começo da tarde, o tempo de exposição ao sol será maior, caso siga o novo horário.
A
agricultora mora com o marido e a filha mais nova. Os três vão pouco para o centro de Cotiporã ou das cidades vizinhas, onde ficam os supermercados, os postos de
saúde e demais serviços, mais próximos da residência da família.
"Nesse caso, a gente se programa para seguir o horário de
verão... Acorda, come (uma hora mais tarde)... Mas só nesse dia", explica Maria, nas vezes que depende de um serviço externo ou tem algum compromisso fora de casa,
como um exame médico.
Na casa da família Serafin, que mora no interior da pequena Fagundes Varela, a cerca de 15 km de Cotiporã, a rotina
é um pouco diferente do que na dos Calza. Durante os meses de outubro, novembro e dezembro, eles adiantam o relógio, mas voltam ao horário antigo em janeiro.
"Nós fizemos o horário de verão praticamente todos os dias, mas durante a safra da uva, que ocorre no começo do ano, nós não
temos condições de fazer", explica Marina, de 21 anos, que ajuda os pais e o irmão a cuidar dos parreirais.
"Optamos por realizar a
colheita no horário normal por causa do clima. Os empregados também preferem trabalhar fora do horário de verão", conta a jovem agricultora. "Na minha
família, a única pessoa que gosta da mudança de horário sou eu... Ninguém mais gosta por aqui", brinca ela.
No Brasil, esse
horário tem sido aplicado desde 1931/1932, com alguns intervalos.
Estados
Além do Rio Grande do Sul, o
horário diferenciado vale para Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e
também para o Distrito Federal.
Consumo
O governo federal estima que irá economizar R$ 147,5
milhões. O valor representa o custo evitado em usinas térmicas por questões de segurança elétrica e atendimento à ponta de carga no período
de vigência do horário de verão.
Entre os objetivos está a redução da demanda durante o horário de pico, que vai
normalmente das 18h às 21h. Com o horário de verão, a iluminação pública, por exemplo, é acionada mais tarde, deixando de coincidir com o
horário de consumo da indústria e do comércio.