Enquanto a Polícia Civil anuncia que buscará a prorrogação de inquérito no Caso
Bernardo devido à demora em resultados de perícias, um reforço pode ter chegado nesta semana a Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Pelo menos
três novos peritos já estão instalados em um hotel da cidade, onde o menino residia com o pai e a madrasta, presos por suspeita de participação na morte da
criança.
O pai, o médico Leandro Boldrini, e madrasta Graciele e a assistente social Edelvania Wirganovicz, amiga do casal, estão presos desde o
dia 14. O menino de 11 anos foi encontrado morto no mesmo dia, enterrado em um matagal na zona rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, onde ele residia com a
família, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Ele estava desaparecido desde o dia 4.
Questionados se estavam na cidade para atuar no caso, os peritos não
responderam. A assessoria de imprensa do Instituto Geral de Perícias (IGP) também não confirmou, mas não descartou a possibilidade.
A
equipe deve apoiar as buscas por respostas acerca das circunstâncias ainda misteriosas nas quais o menino foi morto. Para a polícia, duas questões cruciais precisam ser
esclarecidas para a conclusão do caso, que já estaria 80% solucionado, conforme declarou a delegada Carolina Bamberg: a confirmação da suspeita de que a
criança foi vítima de uma injeção letal, após ser dopado por medicamentos, além de o apontamento técnico de como o corpo foi enterrado na
cova de um matagal, em Frederico Westphalen, Norte do estado.
Apoio de universidade gaúcha
Em outro flanco, o IGP, que
historicamente lida com problemas estruturais, recebeu, nesta semana, apoio da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), em Porto Alegre. A instituição cedeu um
Homogeneizador de Tecidos, equipamento capaz de romper células e liberar as substâncias contidas nelas. O resultado é avaliado dentro de um espectro de substâncias
possíveis.
De acordo com o IGP, com a tecnologia, será possível uma análise de psicotrópicos em vísceras do corpo do menino.
Uma expectativa otimista do órgão indica que até este final de semana resultados dos testes já poderão ser acessados pela polícia.
A obtenção de laudos em menos de cinco dias, porém, depende de “condições ideais”. Do contrário, novas extrações
do corpo poderão ser necessárias, de acordo com o IGP.
Prorrogação de inquérito
Responsável pela
investigação do caso Bernardo, a delegada Caroline Bamberg afirmou na tarde desta quarta-feira (23) em Três Passos que a Polícia Civil vai pedir a
prorrogação da prisão temporária dos três suspeitos do crime. O pai do menino, o médico Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Boldrini e a
assistente social Edelvania Wirganovicz, amiga do casal, estão presos desde o dia 14.
O menino de 11 anos foi encontrado morto no mesmo dia, enterrado em um
matagal na zona rural de Frederico Westphalen, cidade que fica a cerca de 80 km de Três Passos, onde ele residia com a família, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Ele estava
desaparecido desde o dia 4 de abril. Segundo a Polícia Civil, o pai, a madrasta e a amiga do casal são suspeitos do crime.
A delegada Caroline
tambérm anunciou que pedirá à Justiça a prorrogação do prazo limite de 30 dias para concluír o inquérito sobre a morte de Bernardo.
Segundo ela, o caso não pode ser finalizado porque "não irão chegar a tempo" informações importantes contidas nos laudos da perícia.
"Ainda falta concluir 20% do inquérito”, ressaltou a delegada, em entrevista coletiva.
A delegada ainda rebateu declarações do
advogado Demetryus Eugenio Grapiglia, defensor de Edelvania Wirganovicz. Na terça (22), ele disse que os depoimentos tomados pela polícia com a cliente seriam ilegais, pois
não tinham um acompanhamento de um advogado.
Grapiglia ainda afirmou que sua cliente não teria confessado participação na morte, como foi
divulgado pela polícia. Segundo o advogado, ela teria teria admitido apenas ter auxiliado na ocultação do cadáver de Bernardo por "pressão
psicológica". "Cientificamos Edelvania quanto ao teor do depoimento. A base do inquérito não precisa de advogado", disse a delegada.
Justiça negou transferência de caso
A Justiça do Rio Grande do Sul negou nesta quarta o pedido do advogado Jader Marques, que
defende o médico Leandro Boldrini no caso Bernardo para que o processo e investigação do caso fossem transferidos de Três Passos para Frederico Westphalen, onde o
corpo do garoto foi encontrado em uma cova. A decisão é do juiz Marcos Luís Agostini, que reconheceu a competência da 1ª Vara Judicial de Três Passos
para concluir os atos de investigação.
O magistrado baseou a decisão nas provas colhidas pela Polícia Civil até o momento.
“É claro que as investigações ainda não foram encerradas, faltando inclusive o resultado das perícias para averiguação da causa da
morte, mas há firmes elementos nos autos acerca da prática de atos executórios do delito de homicídio nesta Comarca de Três Passos. Além disso,
há indícios nos autos da prática de uma tentativa de homicídio contra a vítima na residência da família, nesta cidade”, diz a
decisão.
Segundo o juiz, há três teorias para definir o lugar do crime e a fixação do foro competente: da atividade; do resultado e
da ubiquidade. Os três critérios são utilizados pela legislação penal e processual brasileira sem um caráter absoluto, dependendo do caso
concreto.
Para Jader Marques, o processo deveria ser transferido para Frederico Westphalen, porque o corpo do menino de 11 anos foi encontrado naquela cidade e
não em Três Passos, onde, segundo ele, não houve a consumação do crime. O advogado já teve acesso parcial ao inquérito do caso, que corre em
segredo de Justiça por se tratar de caso familiar.
Entenda
Bernardo foi visto pela última vez às 18h do
dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi
até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do mesmo
dia, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele
trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
"O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser
multada", relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do CRBM. A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.
O pai registrou o
desaparecimento do menino no domingo (6), e a polícia começou a investigar o caso. Na segunda-feira (14), o corpo do garoto foi localizado em Frederico Westphalen.
De acordo com a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação, o menino foi morto por uma injeção letal, o que ainda
precisa ser confirmado por perícia. A delegada diz que a polícia tem certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino, mas resta
esclarecer como se deu a participação de cada um