Ao menos três homens teriam ateado fogo propositalmente em um morador de rua que morreu carbonizado na manhã de quinta-feira, no Centro
de Blumenau. É o que apontam as primeiras informações da equipe de investigação da Polícia Civil. A vítima, Jorge William Galvão de
Almeida, 22 anos, dormia em uma calçada ao lado do Grande Hotel Blumenau, na Rua XV de Novembro.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, que confirmou
a identidade da vítima, Jorge era natural de Olho d'Água das Canhãs, no Maranhão, e tinha mais de 30 registros de atendimento em Blumenau, todos a partir de
maio. Ele seria usuário de drogas e, por conta disso, teria comportamento instável entre aceitar e recusar os serviços oferecidos. Até o fim da tarde de quinta-
feira a Secretaria ainda tentava contato com familiares no Estado natal dele.
O corpo foi encontrado por uma pessoa que passava pelo local por volta das 6h50min e
acionou a Polícia Militar. Até poucas semanas atrás a entrada do hotel reunia dezenas de andarilhos, mas recentemente um tapume foi colocado no espaço. À
tarde, quase 12 horas depois do crime, vestígios de fumaça e marcas da violência ainda podiam ser sentidos por quem passava pela calçada.
Suspeita é que autores também sejam andarilhos
Segundo o delegado responsável pela Divisão de
Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil, Bruno Effori, a investigação teve acesso a imagens que mostram ao menos três autores se aproximando,
derramando um líquido inflamável e ateando fogo ao corpo da vítima. Eles teriam permanecido no local por alguns instantes observando a cena e caminhado em
direção ao Centro. A suspeita, ainda não confirmada, é de que os suspeitos também sejam moradores de rua e que a motivação seria algum
desentendimento.
Ainda segundo a polícia Jorge estava deitado quando teve o corpo incendiado. Ele teria chegado a levantar, mas não resistiu e morreu
antes da chegada dos bombeiros. Até o momento não foi identificada nenhuma testemunha ocular, mas a Polícia Civil pretende ouvir algum familiar da vítima e
funcionários do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), que atende moradores de rua, para apurar como era
a relação da vítima com outros andarilhos e identificar os autores, que devem responder por homicídio qualificado.
Centro atende
cerca de 160 pessoas sem-teto por mês
Atualmente a Secretaria de Desenvolvimento Social atende moradores de rua por meio do Centro Pop, que recebe cerca de
160 moradores de rua por mês com espaço para alimentação, higiene, trabalho social e terapêutico, e de um abrigo no bairro Salto Weissbach, por onde passam
em média 40 pessoas por dia. A estimativa, porém, é que a cidade atualmente tenha perto de 200 moradores de rua,
já que muitos apenas
passam pelo município e outros recusam o atendimento oferecido em abordagens de rua.
— O comprometimento com álcool e drogas ocorre em 95% dos casos
e isso acaba dificultando a abordagem e a adaptação a espaços com regras, além de causar até divergências entre eles. Mesmo assim temos feito um
trabalho bastante intensificado nos últimos meses — pontua a secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Morastoni Sasse, que destaca também a
facilidade para conseguir esmola, colchão e recursos para se manter na rua como outro obstáculo para os serviços oferecidos.