A tradicional procissão do Senhor Morto de Três Passos, no noroeste do Estado,
terá um final diferente este ano. Após a celebração, que ocorre na noite desta sexta-feira, os organizadores farão um convite aos participantes: para que
compareçam a uma missa em homenagem ao menino Bernardo Ugoline Boldrini, 11 anos, morto no dia 4 de abril.
A procissão, que o mesmo tema da Campanha da
Fraternidade — a mercantilização da vida e seus desdobramentos, como tráfico humano, violência e extermínio de crianças e jovens —
iniciou em frente ao Fórum do município e seguirá por cinco quadras até a Paróquia Santa Inês, igreja matriz do município. Cerca de 250
pessoas rezam e relembram o caminho de Jesus Cristo.
No final, deve acontecer um convite para a missa em homenagem a Bernardo, que será realizada às 19h de
domingo, Paróquia Santa Inês.
O caso que chocou o Rio Grande do Sul
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos,
desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele
teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugolini, 32 anos, para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o
menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio
local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, dia 14, o
corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco,
interior do município.
Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi
velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini _ que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital
do município _, a madrasta e uma terceira pessoa, identificada como Edelvania Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo. O casal aparentava uma
vida dupla, segundo relatos de amigos e vizinhos.