As investigações sobre o desaparecimento e a morte do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, ainda não estão concluídas, mas a delegada
Caroline Virginia Bamberg, responsável pelo inquérito policial, diz já ter um "esboço" sobre o crime e afirma que investiga outras pessoas além
do médico cirurgião Leandro Boldrini, pai do garoto, da madrasta Graciele Ugolini Boldrini, e da amiga do casal Edelvania Wirganovicz, apontados como os principais suspeitos.
Eles foram presos na noite da última segunda-feira (14), depois que o corpo da criança foi encontrado, e estão detidos em local não revelado por medida de
segurança.
"Estou investigando outras pessoas. Já tenho o esboço da dinâmica do crime. Comparo o esclarecimento do crime a um quebra-
cabeça. Há alguns de 30 peças, uns de 100. Esse é de 1000 peças, o mais complexo que tem. Estamos com ele praticamente todo montado", analisou em
entrevista coletiva nesta quinta-feira (17).
Na Delegacia de Três Passos, cidade onde Bernardo morava na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, a
delegada forneceu novos detalhes sobre o caso: o tamanho da cova onde estava o corpo do menino, por exemplo. “Os detalhes são para individualizar a conduta de cada um deles
[suspeitos] no crime”, sustentou.
O menino estava desaparecido desde o dia 4 de abril, e foi encontrado morto enterrado em uma cova em Frederico Westphalen, no
Norte do estado.
"Encontramos o corpo dez dias depois da morte. Vocês imaginam o estado desse corpo. Ele foi achado nu, não encontramos as roupas
dele", destalhou a delegada. A cova em que o cadáver estava tinha aproximadamente 60 cm de comprimento por 40 cm de profundidade.
O pai, Leandro
Boldrini prestou depoimento por cerca de três horas no final da tarde de quarta-feira (16). Ele dispensou a presença do advogado, o primo do médico Andrigo Rebelato. O
conteúdo, porém, é mantigo em sigilo, para preservar as investigações.
“Não posso passar nenhuma impressão, nada
sobre o depoimento dele”, justificou a delegada, já que o processo corre em segredo de Justiça. “Não tenho dúvida da participação dele
de alguma forma”, voltou a afirmar. Ainda não há previsão para os depoimentos da madrasta e da amiga do casal.
Televisão foi
adquirida
No dia do desaparecimento e morte do menino, a madrasta foi multada por excesso de velocidade, na ERS-472, que liga Três Passos a Frederico
Westphalen. À Polícia Rodoviária Federal, a mulher disse que estava indo ao Norte do estado para comprar uma televisão. O aparelho, segundo a delegada, foi
adquirido.
“Foi perto das 16h que foi passado o cartão, do dia 4. Mas a caixa da televisão não foi encontrada. O guri não estava mais
junto quando [elas] compraram a televisão”, acrescentou a delegada. Ela não descarta nenhuma possibilidade sobre as razões da compra do eletrodoméstico.
"Tudo é possível, não vou te afirmar e nem dizer que não, sobre a possibilidade do corpo do menino ter sido carregado na caixa da TV", ponderou.
Novas perícias
A Polícia Civil vai pedir ao IGP que dê prioridade aos laudos sobre o caso. A
intenção da delegada é concluir o inquérito em 30 dias, mas ela não descarta um pedido de prorrogação.
Na casa da
amiga do casal, foram encontradas uma pá e uma cavadeira manual, que serão examinados. A polícia informou que será realizada uma perícia em uma amostra de
terra do local onde o corpo da criança foi enterrado em Frederico Westphalen. O material será comparado com os resíduos de terra encontrados no carro da madrasta da
criança, apreendido pela polícia.
Na casa onde Bernardo morava com o pai, a madrasta e uma criança de um ano, filha do casal, foram encontrados
remédios. A polícia acredita que o menino tenha sido morto com uma injeção letal, o que ainda precisa ser confirmado pela perícia.
Segundo o atestado de óbito, a morte ocorreu no dia 4 de abril de “forma violenta”. Ainda de acordo com o documento, o corpo estava "em adiantado estado de
putrefação”. "Toda morte que não é natural, é considerada violenta. Uma morte que foi provocada”, explicou a delegada Caroline