Logo após a morte por
suicídio de Odilaine Uglione Boldrini, mãe do menino Bernardo Uglione Boldrini, em 2010, a mãe dela, Jussara Uglione, 73 anos, entrou com uma ação na
Justiça para exigir a reintegração de posse de diversos bens doados por ela a Leandro Boldrini, 38 anos, então marido de sua filha. O processo se arrasta
até hoje na Comarca de Três Passos devido a um relógio de ouro que Leandro não teria devolvido à ex-sogra.
Conforme o advogado
Antônio Carlos Seghetto, de Santa Maria – que defendeu o pai de Bernardo – a relação entre seu cliente à época e Jussara não era
boa:
– É um absurdo, nunca vi coisa assim. Foi uma ação esquisita mesmo. Ela exigiu acolchoados, jogos de toalhas, as coisas mais
simplórias que se pode imaginar dentro de uma casa. Reunimos todos os bens e levamos para a frente do juiz.
Em entrevista a Zero Hora na última
terça-feira, Jussara Uglione afirmou que era impedida por Leandro e pela madrasta, Graciele Ugolini, 32 anos, de ver o neto e que era ofendida pelo casal. Ela sustenta que a filha
não se suicidou.
O caso que chocou o Rio Grande do Sul
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de
abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele teria ido à tarde
para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugolini, 32 anos, para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que
passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio local para anunciar o
desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi
encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do
município.
Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi velado em Santa
Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini – que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital do
município –, a madrasta e uma terceira pessoa, identificada como Edelvania Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo. O casal aparentava
ter uma vida dupla, segundo relatos de amigos e vizinhos.