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16/04/2014 | 05:08 | Polícia

Casa de garoto morto no RS recebe mensagens de luto e de indignação

Após 10 dias desaparecido, menino de 11 anos foi encontrado morto

Após 10 dias desaparecido, menino de 11 anos foi encontrado morto
População de Três Passos demonstra indgnação diante da investigação (Foto: Caetanno Freitas/G1)
Cartazes com homenagens, mensagens de luto e ofensas aos suspeitos do crime foram fixados na casa onde o menino Leandro Boldrini vivia com o pai e a madrasta em Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A morte do menino de 11 anos causou comoção e indignação entre muitos moradores do município de 24 mil habitantes.
O menino foi encontrado morto na noite de segunda (14), em um matagal em Frederico Westphalen, cidade a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, no Norte gaúcho. Ele estava desaparecido desde o dia 4 de abril. Segundo a Polícia Civil, o garoto foi morto com uma injeção letal, o que ainda deverá ser confirmado pelo perícia.
O pai, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugolini Boldrini, e uma amiga do casal, Edelvania Wirganovicz, são suspeitos do crime, conforme a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação. Eles foram presos preventivamente e levados para um local não revelado, por questões de segurança.
Na grade da residência onde a família vivia, vários cartazes foram fixados. Alguns trazem apenas a palavra "luto", enquanto outros trazem mensagens ofensivas direcionadas ao pai dele, que é médico, e à madrasta, que é enfermeira. Os moradores também acendem velas em homenagem ao garoto próximo ao portão e na calçada. 
Morte comoveu Três Passos
Uma cerimônia marcada pela comoção de moradores de Três Passos transcorreu durante cerca de cinco horas entre a manhã e a tarde desta terça (15). Colegas de aula estavam presentes na cerimônia. Alguns lembraram que o menino cultivava a religiosidade em seu cotidiano.
“Mesmo diante de todo o sofrimento que passava, sempre tinha um sorriso no rosto. Ensinou pra todos que era preciso ser forte para superar todas as dificuldades", contou ao G1 a estudante Angélica Rodrigues, de 12 anos, amiga de Bernardo. As aulas no Colégio Ipiranga foram suspensas até a semana que vem.
O suposto distanciamento entre Bernardo e o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, também foi destacado por famílias que conheciam o garoto. As buscas por Bernardo já haviam mobilizado a comunidade escolar. "Procuramos incansavelmente. Estamos frustrados", comentou a psicóloga do colégio, Denise Helena Escher.
A escola divulgou uma nota lamentando a "cruel morte" de Bernardo e decretou luto oficial de três dias. "O Colégio Ipiranga chora com o partir de seu aluno. O teu sorriso viverá no coração de cada um de nós que aqui estamos chocados com a forma que partiste. Bernardo, que Deus te guarde e que vivas no amor de todos os colegas e professores que rezaram e ainda rezam por ti", diz o texto.
Caso corre em segredo de Justiça
A investigação corre em segredo de Justiça e poucos detalhes são fornecidos à imprensa. Entretanto, de acordo com a delegada Caroline, a amiga do casal relatou à polícia onde o corpo de Bernardo Uglione Boldrini estava enterrado.
A Polícia Civil disse ter certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino. “Precisamos identificar o que cada um fez para a condenação", afirmou a delegada aos jornalistas. Os três estão presos preventivamente por 30 dias.
O menino foi morto com uma injeção letal, segundo a Polícia Civil, o que ainda deverá ser confirmado pelo laudo. O corpo dele passará por perícia, já que foi encontrado em estado de decomposição.
De acordo com a família, Bernardo Boldrini havia sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4 de abril, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen.
“O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada”, relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM). A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.
Fonte: G1
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