Cartazes com homenagens, mensagens de luto e ofensas aos suspeitos do crime foram fixados na casa onde o menino Leandro Boldrini vivia com o pai e a madrasta em
Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A morte do menino de 11 anos causou comoção e indignação entre muitos moradores do município de 24
mil habitantes.
O menino foi encontrado morto na noite de segunda (14), em um matagal em Frederico Westphalen, cidade a cerca de 80 quilômetros de Três
Passos, no Norte gaúcho. Ele estava desaparecido desde o dia 4 de abril. Segundo a Polícia Civil, o garoto foi morto com uma injeção letal, o que ainda
deverá ser confirmado pelo perícia.
O pai, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugolini Boldrini, e uma amiga do casal, Edelvania Wirganovicz,
são suspeitos do crime, conforme a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação. Eles foram presos preventivamente e levados para um local
não revelado, por questões de segurança.
Na grade da residência onde a família vivia, vários cartazes foram fixados.
Alguns trazem apenas a palavra "luto", enquanto outros trazem mensagens ofensivas direcionadas ao pai dele, que é médico, e à madrasta, que é
enfermeira. Os moradores também acendem velas em homenagem ao garoto próximo ao portão e na calçada.
Morte comoveu
Três Passos
Uma cerimônia marcada pela comoção de moradores de Três Passos transcorreu durante cerca de cinco horas entre a
manhã e a tarde desta terça (15). Colegas de aula estavam presentes na cerimônia. Alguns lembraram que o menino cultivava a religiosidade em seu cotidiano.
“Mesmo diante de todo o sofrimento que passava, sempre tinha um sorriso no rosto. Ensinou pra todos que era preciso ser forte para superar todas as dificuldades",
contou ao G1 a estudante Angélica Rodrigues, de 12 anos, amiga de Bernardo. As aulas no Colégio Ipiranga foram suspensas até a semana que vem.
O
suposto distanciamento entre Bernardo e o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, também foi destacado por famílias que conheciam o garoto. As buscas por
Bernardo já haviam mobilizado a comunidade escolar. "Procuramos incansavelmente. Estamos frustrados", comentou a psicóloga do colégio, Denise Helena
Escher.
A escola divulgou uma nota lamentando a "cruel morte" de Bernardo e decretou luto oficial de três dias. "O Colégio Ipiranga chora
com o partir de seu aluno. O teu sorriso viverá no coração de cada um de nós que aqui estamos chocados com a forma que partiste. Bernardo, que Deus te guarde e
que vivas no amor de todos os colegas e professores que rezaram e ainda rezam por ti", diz o texto.
Caso corre em segredo de
Justiça
A investigação corre em segredo de Justiça e poucos detalhes são fornecidos à imprensa. Entretanto, de
acordo com a delegada Caroline, a amiga do casal relatou à polícia onde o corpo de Bernardo Uglione Boldrini estava enterrado.
A Polícia Civil disse
ter certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino. “Precisamos identificar o que cada um fez para a condenação",
afirmou a delegada aos jornalistas. Os três estão presos preventivamente por 30 dias.
O menino foi morto com uma injeção letal, segundo a
Polícia Civil, o que ainda deverá ser confirmado pelo laudo. O corpo dele passará por perícia, já que foi encontrado em estado de
decomposição.
De acordo com a família, Bernardo Boldrini havia sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir
na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi
comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4 de abril, a madrasta foi multada por
excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em
direção a Frederico Westphalen.
“O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já
a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada”, relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM). A madrasta
informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.