A mulher suspeita de ter colaborado com o pai e a madrasta de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, no assassinato da criança
é assistente social. Presa na noite de segunda-feira, Edelvania Wirganovicz, 40 anos, trabalha na 19ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Frederico
Westphalen.
Apesar da formação em Serviço Social, ela exerce a função de assistente farmacêutica na Coordenadoria, e atua na
separação de medicamentos há pouco mais de um ano. Segundo o coordenador do órgão, Cirilo Fronza, Edelvania possui contrato temporário com a
prefeitura de Cristal do Sul, cidade vizinha, e trabalha em Frederico Westphalen devido a uma permuta com a Coordenadoria.
— Ela tinha uma conduta
absolutamente normal no trabalho e, quando houve um comentário de que ela estava envolvida no crime, ninguém acreditou. Foi uma surpresa — relata Fronza.
De acordo com o coordenador, a notícia da morte de Bernardo chocou Frederico Westphalen, e espalhou pela cidade um sentimento de luto:
— O que
choca nesse caso é que as três pessoas suspeitas trabalham com saúde. Deveriam estar salvando vidas.
Sobre o contrato da assistente
farmacêutica, ele comenta que já notificou a prefeitura de Cristal do Sul que a Coordenadoria não tem mais interesse no trabalho dela, independentemente do desfecho do
caso na Justiça.
O caso que abalou Três Passos
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no
último dia 4, uma sexta-feira, em Três Passos. De acordo com o pai, ele teria ido à tarde a Frederico Westphalen com a madrasta para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Cartazes com
fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite desta segunda-feira, o corpo do menino foi encontrado no interior de
Frederico Westphalen. O pai, Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta e uma terceira pessoa foram presos suspeitos de participação na morte da criança.
O pai de Bernardo, Leandro Boldrini, 38 anos, é médico e atua como cirurgião-geral no hospital do município. Ele também é proprietário da
Clínica Cirúrgica Boldrini. Bernardo morava com o pai, a madrasta e uma meia-irmã, de um ano. Ele estudava no turno da manhã no Colégio Ipiranga,
instituição particular.