O juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Três Passos, Fernando Vieira dos
Santos, 34 anos, chorou na tarde desta terça-feira. Há alguns meses, passou pelas mãos dele um processo movido pelo Ministério Público do
município, em que o menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, fez uma reclamação contra a falta de afeto do pai, o médico Leandro Boldrini, 38
anos.
O garoto pediu ajuda ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, órgão ligado à prefeitura, e a queixa passou pelo MP, que a
transformou em um processo. A ação acabou na mesa de Santos, que intimou as partes:
— Nesse caso, como não houve violência,
por tratar-se de questão afetiva, nós apostamos na preservação dos laços familiares. Chamamos o pai e suspendemos o processo por 60 dias, esperando que
houvesse reconciliação. Infelizmente, aconteceu o pior — lamenta o magistrado.
O caso que abalou Três
Passos
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no último dia 4, uma sexta-feira, em Três Passos. De acordo com o pai, ele teria
ido à tarde a Frederico Westphalen com a madrasta para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na
casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite desta segunda-feira, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen. O pai, Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta e uma terceira pessoa foram
presos suspeitos de participação na morte da criança.
O pai de Bernardo, Leandro Boldrini, 38 anos, é médico e atua como
cirurgião-geral no hospital do município. Ele também é proprietário da Clínica Cirúrgica Boldrini. Bernardo morava com o pai, a madrasta e
uma meia-irmã, de um ano. Ele estudava no turno da manhã no Colégio Ipiranga, instituição particular.