Logo após a morte da única filha, em 2010, a aposentada Jussara Uglione, 73 anos, moradora de Santa Maria, entrou com uma ação na Justiça
para ter o direito de visitar o único neto, Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, encontrado morto em Frederico Westphalen na noite da última terça-feira. Segundo ela, o
pai do garoto e então marido de sua filha, Leandro Boldrini, 38 anos – preso junto com a companheira e uma terceira mulher por suspeitas de cometer o crime – ,
não só negava o contato como a ofendia.
Com problemas de saúde e abalada pela perda da filha, ela acabou desistindo de levar o processo
adiante e esperava que, com o tempo, a aproximação ocorresse naturalmente. Conforme seu advogado, Marlon Adriano Taborda, Leandro foi "desrespeitoso e
agressivo":
– O pedido foi veementemente rechaçado, ela foi impedida de participar da vida do neto. Para evitar maiores desgastes, acabamos
desistindo do pedido judicial, ela esperava o contato natural. Estamos cheios de provas de que ela tentou a aproximação, o direito de visitas. Ele não queria a
presença da avó, foi agressivo e desrespeitoso com uma pessoa de idade.
Confira trechos de entrevista concedida pela aposentada nesta
terça-feira:
Zero Hora – Como a senhora está se sentindo ao saber que encontraram o corpo de Bernardo?
Jussara
Uglione – Demorou, mas a polícia conseguiu achar o local e os verdadeiros assassinos. Não tenho dúvidas de que foram eles. Eram as únicas pessoas que
conviviam com o menino.
Zero Hora – A senhora tinha contatos com o seu neto frequentemente?
Jussara – Tentei várias vezes me
aproximar dele, os meus advogados têm comprovantes de que fui impedida disso desde a morte da minha filha (em 2010). Fui impedida de vê-lo por 4 anos, me chamavam de velha
doente, falavam que eu tinha problemas e que não teria condições de cuidá-lo. Eu tenho uma ótima situação financeira, tenho o nome limpo.
Temos 73 anos de firma (revenda de veículos Uglione, em Santa Maria), somos honrados e honestos.
Zero Hora – Qual foi a última vez que a senhora
viu o Bernardo?
Jussara – No mês retrasado, depois de muito tempo, ele veio passar as férias na casa da madrinha e ela trouxe o Bernardo aqui em
casa para que eu pudesse vê-lo. Fiquei quatro anos longe, ele passou coisas horríveis nesse tempo.
Zero Hora – A sua filha cometeu suicídio
em 2010?
Jussara – Não, não acredito que ela tenha feito isso. Até hoje tenho suspeitas de que ela foi assassinada.
O caso que abalou Três Passos
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no último dia 4, uma sexta-feira, em Três Passos. De
acordo com o pai, ele teria ido à tarde a Frederico Westphalen com a madrasta para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que
passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por
Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado
nas margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do município.
Leandro Boldrini é médico e atua como
cirurgião-geral no hospital do município. Ele também é proprietário da Clínica Cirúrgica Boldrini. Bernardo morava com o pai, a madrasta e
uma meia-irmã, de um ano. Ele estudava no turno da manhã no Colégio Ipiranga, instituição particular