De voz marcante e inconfundível, de opiniões fortes e polêmicas. A morte do radialista e diretor da Rádio Osório causou comoção em
Osório na última segunda-feira. Apresentador do programa radiofônico Olho Vivo havia 38 anos, líder de audiência durante as manhãs no Litoral Norte,
Pedro Farias estava internado havia quase dois meses no Hospital Divina Providência, em Porto Alegre, em decorrência de um acidente vascular cerebral sofrido em 8 de
junho.
Aos 67 anos, Pedro deixa a esposa, Cíntia, com quem era casado havia 13 anos, as filhas do primeiro casamento – Thanain e Tiana –, os
enteados Marina e Maurício, os netos Otto, Leonardo, Pedro e Laura, além de genros. Seu corpo foi velado na Câmara de Vereadores de Osório, e a cerimônia de
cremação ocorreu no Crematório Ecumênico Cristo Rei, em São Leopoldo, no dia 2 de agosto.
Pedro nasceu em 13 de março de 1949,
na localidade de Rincão dos Papudos, no município de São Pedro do Sul. Filho mais novo de uma família de três irmãos, também deixa a
irmã, Ivone. Devido ao gosto pela lida campeira, decidiu morar na localidade de Palmital, na zona rural de Osório, onde tinha uma chácara em que criava ovelhas, gado e
galinhas. Também era dono de cachorros e gatos, dos quais cuidava com zelo. Adorava fumar palheiro e não dispensava o chimarrão, presente até mesmo no
estúdio, durante suas entrevistas.
Apaixonado por rádio, iniciou a carreira aos 14 anos, na Rádio Municipal de São Pedro do Sul, limpando
os discos da emissora. Tornou-se diretor-presidente da Rádio Osório em 1978. Sua trajetória na emissora se confunde com a história da radiodifusão no
Litoral Norte. Orgulhava-se de lembrar que vários profissionais de rádio do Estado haviam iniciado a carreira ao seu lado, na Rádio Osório. Sempre à
frente da apresentação do programa Olho Vivo, era opinativo durante suas entrevistas e incluía a participação dos ouvintes lendo e comentando suas
mensagens.
Pedro também teve participação importante nas entidades ligadas ao rádio no Rio Grande do Sul. Foi vice-presidente da
Associação Gaúcha de Rádios e Emissoras de Televisão (Agert) por várias gestões, sendo o locutor oficial de debates e entrevistas com
autoridades promovidos pela entidade, e era vice-presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Rio Grande do Sul (SindiRádio).
Além de seu trabalho na emissora, o radialista amava Osório. No município, atuou em entidades como a Sociedade Beneficente São Vicente de Paulo, administradora
do Hospital São Vicente de Paulo. Foi membro do conselho da instituição por mais de uma década e, de 2010 a 2012, chegou a presidir o hospital.
*Texto: Gabriela Prestes, jornalista da Rádio Osório