A quinta-
feira (4) deverá ter protestos e paralisações no Rio Grande do Sul, como represália ao parcelamento dos salários dos funcionários públicos
estaduais. Servidores da área da segurança pública prometem realizar uma operação padrão, com paralisações entre as 6h e as 21h, e
recomendam que os servidores não deixem suas residências.
Viaturas da Brigada Militar passaram a noite no estacionamento na Arena do Grêmio.
Informações extraoficiais apontam que policiais militares passaram a noite no local para driblar possíveis bloqueios de sindicalistas e familaires de PMs na frente dos
quartéis.
Conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) todos os ônibus deixaram as garagens durante a manhã
desta quinta.
Durante esta quarta as agências bancárias não deverão abrir, devido a uma liminar obtida pelo Sindicato dos
Bancários de Porto Alegre e Região Metropolitana (SindBancários), que alegou a falta de segurança.
O atendimento na área da
saúde deverá ser normal, enquanto na educação algumas escolas contrariaram orientação da Secretaria da Educação e suspenderam as
aulas. Bares, restaurantes e lojas deverão abrir normalmente.
Em meio à paralisação, um protesto deverá ser realizado desde o
início do dia em frente ao Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre. Servidores de todas as categorias deverão se concentrar no local e solicitar uma reunião
com o governador José Ivo Sartori.
No final do mês passado, o governo anunciou que os servidores receberiam os salários parcelados pelo sexto
mês consecutivo, recebendo apenas R$ 650 no dia 29 de julho. No dia do pagamento, já durante a noite, foi depositado um acréscimo de R$ 330, e outros R$ 800 foram
acrescidos nesta quarta (3). O salário dos servidores chegou a R$ R$ 1.780 líquidos.
O governo mobilizou a cúpula de segurança e pediu
à população que não deixe de ir para a rua. "Confio na responsabilidade dos policiais na proteção dos 11 milhões de
gaúchos", disse o governador após reunir-se com os responsáveis pelos órgãos de segurança para tratar sobre providências para garantir a
proteção da sociedade.
Por meio de nota, Sartori já havia afirmado que a sociedade não pode ser prejudicada pelas mobilizações
dos servidores. "Qualquer radicalização é inoportuna diante do interesse público, especialmente dos trabalhadores mais humildes. O Brasil já soma
quase 12 milhões de desempregados", disse o documento.
Confira abaixo quais serviços deverão ser afetados:
Segurança pública
As entidades que representam servidores da segurança pública planejam uma operação
padrão, que se estenderá até a data da integralização dos salários dos servidores, o que o governo prevê para o dia 19. A
Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que representa cabos e soldados da Brigada Militar, pede que a população não saia às ruas.
Está prevista uma paralisação de 15 horas, entre as 6h e as 21h.
"Chamamos a atenção da sociedade gaúcha para que
durante esse dia evite sair às ruas, abrir o comércio, levar seus filhos à escola, bem como orientamos a suspensão do transporte público, frente a
absoluta falta de segurança que deverá imperar nesse dia", diz comunicado da entidade.
Policiais civis decidiram adotar uma postura semelhante. O
Ugeirm-Sindicato, que representa escrivães, inspetores e investigadores, orientou a categoria a manter apenas 30% dos servidores nas delegacias.
O Sindicato
dos Servidores da Polícia Civil (Sinpol-RS) convocou uma paralisação das 6h às 21h. Neste horário, não deverá haver circulação
de viaturas, cumprimentos de mandados de prisão e outros serviços de polícia judiciária. Prisões devem ocorrer apenas em flagrante ou em casos mais
graves.
Já os delegados de polícia iniciaram à meia-noite a paralisação, que deve se estender até as 21h. Apenas casos
graves como com violência ou grave ameaça serão atendidos.
A Associação dos Oficiais da Brigada Militar (ASOFBM) anunciou 12
medidas em represália ao parcelamento dos salários. Entre elas estão a suspensão de operações, a verificação da
situação das viaturas, para que os veículos sem condições não saiam às ruas; a exigência de adiantamento de diárias para
viagens e a recomendação de desativar estações de bombeiros com três militares de serviço por turno.
Educação
As escolas particulares funcionarão normalmente, e parte delas garante que não haverá prejuízo
para os alunos que não puderem ir às aulas. Em relação às instituições públicas, a orientação da Secretaria Estadual da
Educação é que sigam em funcionamento, e evitem reduzir os turnos.
No entanto, a falta de segurança levou algumas escolas de Porto Alegre
a contrariarem a pasta estadual e suspenderam as aulas: Protásio Alves, Júlio de Castilhos, Paula Soares, Açorianos, Prudente de Moraes, Gomes Carneiro, Marechal Mallet
e Rubem Berta.
Além disso, professores da rede pública estadual de Canoas, Gravataí, Guaíba, Taquara e São Leopoldo, além
da capital, deverão participar do protesto em frente ao Palácio Piratini a partir das 8h. Em Canoas, na Região Metropolitana, a prefeitura decidiu suspender as aulas
nas escolas municipais.
As principais universidades da Região Metropolitana deverão funcionar normalmente. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), entretanto, alguns professores combinaram diretamente com alunos de não comparecerem às aulas.
Transporte
A Carris, empresa de ônibus da capital, informou que as viagens serão mantidas. O Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre planeja trabalhar normalmente, mas
informou que realizaria vigílias a partir da 1h em garagens de empresas. Bloqueios seriam realizados apenas se houvesse problemas de segurança.
O
Sindicato dos Metroviários garante que o Trensurb vai funcionar normalmente. A Metroplan, responsável pelo transporte entre cidades da Região Metropolitana,
também garantiu operação normal nos ônibus e informou que o policiamento será reforçado nos terminais. Em Porto Alegre, a Empresa Pública de
Transporte e Circulação (EPTC) disse não ter previsão de paralisação.
Bancos
As
agências bancárias de todo o Rio Grande do Sul deverão ficar fechadas, atendendo a uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 4º
Região. A corte acolheu uma ação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região Metropolitana (SindBancários), que alegou a falta de
segurança devido à paralisação da polícia.
As agências não poderão abrir das 6h às 21h em todo o
estado, sob pena de pagamento de R$ 1 milhão por estabelecimento. Empresas podem recorrer, entrando com mandado de segurança.
A diretora jurídica do
SindBancários, Geovana Freitas, orienta os bancários a entrarem em contato com seus gestores diretos de seus locais de trabalho. "O Sindicato estará de
plantão desde cedo para atender aos colegas que tiverem dúvida. Dirigentes estarão visitando as regiões de Porto Alegre para verificar se os bancos estão
cumprindo a liminar", explica.
Prefeituras
A Prefeitura de Porto Alegre anunciou que todos os serviços serão
normais, incluindo as escolas municipais e as unidades de saúde. A mesma postura foi adotada pela Associação dos Municípios do Vale do Rio do Sinos (AMVRS), que
abrange as prefeituras de Araricá, Campo Bom, Dois Irmãos, Estância Velha, Ivoti, Lindolfo Collor, Morro Reuter, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Presidente Lucena, São
Leopoldo e Sapiranga.
Já a Prefeitura de Canoas suspendeu as folgas dos guardas municipais, que auxiliarão no policiamento das ruas, e dobrou o
número de vigilantes privados armados em locais de circulação pública. Seguranças serão posicionados nas 27 Unidades Básicas de Saúde
do município.
A prefeitura ainda suspendeu as aulas em escolas municipais, ampliou o número de operadores de câmeras de monitoramento do Comando e
Controle de Canoas (CICC) e disponibilizou o WhatsApp 51 9240.1032 para esclarecer sobre possíveis boatos que podem surgir.
Em Pelotas, no Sul do estado, a
prefeitura determinou que guardas municipais circulem pelo perímetro central da cidade. "Desde cedo os guardas municipais vão estar no Calçadão, nas
praças e nas paradas de ônibus, onde há circulação maior de pessoas. A intenção é aumentar a sensação de
segurança da população”, explica o chefe da Guarda Municipal pelotense, Ladislau Neto.
Bares e Restaurantes
O Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (SINDHA) orienta os proprietários de bares e restaurantes a abrirem normalmente, mas
destaca que a decisão é de cada empresa. A entidade critica ações que possam ameaçar a segurança da população.
Comércio
O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) também orienta os comerciantes a abrirem normalmente
os estabelecimentos. A entidade promete monitorar os acontecimentos para auxiliar os lojistas e acionar a polícia quando for necessário, e também critica
ações que possam prejudicar a sociedade.
Judiciário
O Tribunal de Justiça e os Foros da
Justiça Estadual terão funcionamento normal.