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26/07/2016 | 14:12 | Geral

RS tem recorde de exportações, mas arrecada menos com queda no preço dos produtos

Segundo a FEE, vendas aumentaram mas arrecadação é a menor desde 2010. Estado perdeu uma posição no ranking nacional

Segundo a FEE, vendas aumentaram mas arrecadação é a menor desde 2010. Estado perdeu uma posição no ranking nacional
Soja em grão é o principal produto exportado pelo RS, ocupando quase 25% da pauta de vendas (Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS)
Com o impulso do câmbio, que ajudou a deixar os produtos gaúchos mais baratos no Exterior, o Rio Grande do Sul bateu recorde de exportações no primeiro semestre de 2016. Entre janeiro e junho deste ano, foram embarcadas 11,5 milhões de toneladas em mercadorias, o maior volume da série histórica iniciada em 1989. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Núcleo de Dados e Estudos Conjunturais da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
Apesar da quantidade maior de produtos comercializados, a arrecadação com as vendas ficou em US$ 7,7 bilhões, o menor valor desde 2010. Um recuo de 4,4% (US$ 349,9 milhões) em relação ao mesmo período de 2015. A aparente contradição é reflexo da forte retração nos preços dos produtos exportados. As principais mercadorias produzidas pelo Rio Grande do Sul vêm perdendo valor no mercado internacional. 
— O efeito do dólar teve certa importância no volume de vendas, mas a principal causa para o recorde de embarques foi, sem dúvida, a retração no mercado doméstico, que levou os produtores brasileiros a olharem para fora. O preço mais competitivo no cenário internacional também ajudou: 8 dos 10 principais clientes compraram mais. O entrave foi o valor das mercadorias, que vem caindo, e impactando no faturamento — afirma Tomás Torezani, pesquisador da FEE.
Com o resultado, o Estado perdeu uma posição no ranking nacional, passando para a quinta colocação, ultrapassando o Rio de Janeiro (em função da redução do preço do petróleo), mas sendo superado por Mato Grosso (pela forte elevação das vendas de soja e milho em grãos) e Paraná (pelo crescimento das vendas de soja em grão).
Trigo recua, celulose avança
Com relação à exportação de produtos básicos, houve diminuição das vendas de trigo em grãos (-64,4% em valor) e farelo de soja ( -21,8% em valor ). Por outro lado, cresceram as vendas de carne bovina e de bovinos vivos, que não haviam sido exportados no primeiro semestre de 2015.
No grupo dos manufaturados, os maiores recuos foram percebidos nas exportações de máquinas e aparelhos para uso agrícola (-41,7% em valor) e hidrocarbonetos (-24,8% em valor).
O grupo dos semimanufaturados foi o único a ter aumento nos valores. O crescimento ocorreu em virtude das vendas de celulose (acréscimo de 757,2% em valor), o que compensou a queda na comercialização de outros produtos, como óleo de soja em bruto (-25,8% em valor ) e couros e peles (-6,3% em valor).
Reflexo da expansão da empresa Celulose Riograndense, a celulose também foi destaque em volume embarcado. Dos 307 produtos exportados no semestre, 52 bateram recorde em volume. 
O embarque de soja em grãos foi impulsionado pela supersafra histórica. As vendas para o gigante asiático avançaram e também cresceram para Paquistão e Irã. O estabelecimento de novos acordos no âmbito nacional impulsionaram o comércio de automóveis com a Argentina.
Outros produtos relevantes para a pauta exportadora gaúcha, mesmo não registrando recordes, também apresentaram crescimento em suas vendas em relação aos últimos anos. Em especial as carnes, pela recuperação de mercados embargados e pela expansão e abertura de novos destinos.
Principais produtos exportados pelo RS
Soja em grão 24,8%
Fumo em folhas 7,2%
Polímeros plásticos 6,9%
Carne de frango 6,8%
Farelo de soja 5,2%
Principais destinos dos produtos gaúchos
China (25,9%)
Estados Unidos (7,9%)
Argentina (7,7%)
Alemanha (2,6%)
Coreia do Sul (2,5%) 
Maiores vendas de produtos para países específicos 
Soja para China (US$ 1,619 bilhão)
Farelo de soja para Eslovênia (US$ 135 milhões)
Celulose para China (US$ 129,1 milhões)
Automóveis para Argentina (US$ 121,9 milhões)
Polímeros plásticos para Argentina (US$ 118,4 milhões)
Fonte: Zero Hora
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