Mais uma vez um homem negro
desarmado foi baleados por policiais nos Estados Unidos. Charles Kinsey, 47 anos, foi atingido em uma das pernas, na segunda-feira, em Miami, enquanto ajudava um autista que estava
desorientado e perambulava perto de um lar coletivo onde a vítima trabalha como terapeuta.
No momento que foi alvejado, Charles estava deitado no chão,
com as mãos para o alto, pedindo aos policiais que não disparassem contra ele. A versão dele é comprovada por imagens gravadas por câmeras de celulares,
que mostram sua rendição e o homem autista ao seu lado, brincando com um caminhão de plástico branco.
O colaborador do jornal New
York Daily News Shaun King compartilhou no Facebook a reportagem feita pela emissora WSVN sobre o caso, que mostra a ação da polícia e também traz uma entrevista
com a vítima. Foram mais de 14 milhões de visualizações e quase 500 mil compartilhamentos.
No vídeo é possível
ouvir Charles gritar para os oficiais: "A única coisa que ele tem é um caminhão de brinquedo. Um caminhão de brinquedo. Sou um terapeuta comportamental em
um lar coletivo".
A polícia, por sua vez, disse que estava respondendo a um chamado de emergência que advertia sobre um homem que caminhava com
uma pistola pelas ruas e ameaçava se suicidar.
O incidente ilustra a tensão dos policiais norte-americanos e da população após o
tiroteio em Dallas, que deixou cinco agentes mortos, e outro incidente similar em Baton Rouge, na Louisiana, onde outros três oficiais morreram.
Na entrevista
que deu à emissora de televisão WSVN, da Flórida, Charles garantiu ter alertados aos policiais que estava desarmado. Além disso, afirmou ter pedido várias
vezes para eles não atirarem:
— Falei para o oficial: "senhor, por favor, não atire. Por favor, não atire".
Depois, explicou como se sentiu ao ser atingido pelos tiros:
— Foi como uma picada de mosquito e quando me atingiu eu continuei dizendo "continuo com as
mãos para o alto", e perguntei "senhor, por que atirou?", e suas palavras foram "não sei".
O policial que atirou em Charles
está em licença administrativa por pelo menos uma semana. Agora, será aberta uma investigação pelo gabinete da procuradoria local para apurar as
circunstâncias do caso.