O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta segunda-feira (4) oito pessoas por venda de água mineral contaminada, da marca Do Campo.
Três deles já tinham sido presos em 23 de junho durante a operação do MP. A denúncia foi apresentada à 2ª Vara Criminal de Lajeado, no Vale do
Taquari.
Os oito vão responder por organização criminosa, já quatro sócios da empresa também vão responder por
colocar à venda produto alimentício corrompido, com pena de quatro a oito anos de prisão. Conforme o Ministério Público, eles agiram intencionalmente,
já que permitiram que a água fosse envasada e comercializada mesmo sabendo da contaminação de uma bactéria por laudos solicitados pela própria
empresa.
Um outro investigado, Vitor Hugo Gerhardt, acabou tendo a culpa extinta por sua morte em 26 de junho.
O Ministério
Público observou que, mesmo que tenha sido encontrado laudos que comprovaram a presença da bactéria - além de coliformes fecais, limo, mofo e partículas
de sujeira -, vai aguardar os documentos oficiais dos laboratórios.
A Organização Mundial de Saúde estabelece que a água engarrafada
para consumo humano deve ser totalmente livre de coliformes e Pseudomonas aeruginosa, devido à vulnerabilidade de crianças e idosos a esses microrganismos.
A Pseudomonas aeruginosa é causadora de infecções respiratórias, urinárias e da corrente sanguínea em pessoas já com a saúde
debilitada. Já a ingestão de coliformes provoca, em geral, distúrbios gastrointestinais.
No dia em que a operação foi
deflagrada, o advogado Flavio Ferri, sócio da Mineração Campo Branco e irmão de um dos presos, preferiu não se manifestar sobre o assunto.
Distribuidor da marca Do Campo, Ênio Crestani afirmou que um lote da água foi retirado do mercado. O empresário acredita que há um "mal-
entendido", e que desconfia de "sabotagem". "É impossível ter água contaminada aqui. Ficamos em um lugar alto, no meio do mato, não tem risco
de contaminação. A universidade aqui faz análises. Isso vai ser esclarecido", acrescentou.
Por meio de nota, a Carrefour diz ter suspendido a
Mineração Campo Branco do seu quadro de fornecedores, e que está retirando o produto das gôndolas dos supermercados de sua rede. "Os fornecedores da sua
marca própria são auditados periodicamente, a fim de cumprir uma série de requisitos rigorosos de qualidade. Qualquer desconformidade culmina com o desligamento da
empresa do seu quadro de fornecedores, medida já adotada neste caso", acrescenta o texto.
A Azul destacou que desde o início de abril a empresa
"não faz mais parte de sua lista de fornecedores".
O responsável pela marca Biri Biri não foi localizado pela reportagem. Na tarde desta
sexta-feira (24), a empresa Água Mineral Viva Ltda, de Juatuba, Minas Gerais, enviou e-mail ao G1 esclarecendo que envasa a marca Roda D'Água na cidade, e que a
Mineração Campo Branco, de acordo com seu entendimento, "utilizou indevidamente e sem autorização a marca para divulgar produtos por ela
envasados".
A empresa afirma ter o registro da marca perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e acrescenta que já encaminhou
notificação para a empresa Campo Branco.