O sonho de gigantismo da Oi acabou com uma dívida tão superlativa
quanto as expectativas que chegou a criar. Eleita pelo governo federal como a empresa que seria a "campeã nacional" nas telecomunicações, com
aspirações até de se tornar uma multinacional, a companhia tem desde a sua origem, nas privatizações de 1998, uma trajetória recheada de
controvérsias e maus negócios. No mais recente capítulo, conseguiu entrar para a história corporativa brasileira como parte do maior processo de
recuperação judicial do país, com passivo considerado impagável de R$ 65,4 bilhões.
Para quem acompanha os passos da Oi, o
desfecho deve ser creditado principalmente a dois movimentos malsucedidos, fartamente apoiados por recursos de bancos públicos e fundos de pensão de estatais nos governos Lula
e Dilma. No contexto, a intenção do Planalto de ajudar a criar megaempresas brasileiras para competir globalmente, como pontas de lança do capitalismo verde-
amarelo.
O primeiro episódio considerado parte fundamental do naufrágio da Oi foi a compra da Brasil Telecom (BrT), em 2008. Além de se endividar
para fazer o negócio, depois de fechada a aquisição, foram descobertos esqueletos que dobraram o passivo da companhia no ano seguinte, para quase R$ 22
bilhões.
A situação, que já não era confortável, se agravou de vez com a novela da fusão com a Portugal Telecom. Em
meio às negociações, a Oi levou uma rasteira dos sócios portugueses que compraram créditos podres do Banco Espírito Santo (BES), maior
instituição financeira privada de Portugal, que, em dificuldades financeiras, deu calote e acabou resgatado pelo governo lusitano.
– A expectativa
era de que essa fusão desse mais recursos para a Oi se desenvolver. Mas com esse susto dos créditos podres do BES, a operação se desestruturou. Acabaram vendendo
os ativos em Portugal e a Oi ficou com a dívida, que ao final de 2015 era mais de cinco vezes superior ao que gerava de caixa – detalha Eduardo Tude, presidente da Teleco,
consultoria especializada em telecomunicações, lembrando que, de uma tacada, o negócio com a operadora portuguesa fez crescer em R$ 20,1 bilhões o endividamento
da telefônica no balanço do segundo trimestre de 2014, chegando a R$ 52,2 bilhões.